quinta-feira, 31 de maio de 2012

SOBRE A UNIÃO ENTRE OS UMBANDISTAS


Hoje pela manhã tomei ao acaso o Livro dos Médiuns e ao ler o texto que encontrei me veio de imediato na mente, se eu trocar as palavras Espiritismo, espírita, por Umbanda, umbandista, me parece por demais pertinente estes trechos para refletir sobre a tão buscada união.


Deixo para apreciação...

Umbanda, que apenas acaba de nascer, é apreciada de maneiras diversas e muito pouco compreendida na sua essência por grande número de adeptos, para oferecer condições suficientes de união geral entre os seus membros para se formar uma associação. Não poderão existir estas condições a não ser entre os que compreendam os seus objetivo moral e procuram integrar-se nele. Entre os que só o vêem através dos fatos mais ou menos curiosos nenhum elemento sério de ligação poderia existir. Colocando os fatos acima dos princípios, uma simples divergência na maneira de considerá-los provocaria a divisão. Já não se daria o mesmo no tocante aos primeiros, porque sobre a questão moral não podem existir duas maneiras de ver. Também é fato que, por onde quer que se encontrem uma confiança mútua sempre os liga. A benevolência recíproca, reinando entre eles, afasta todo constrangimento e retraimento originados da suscetibilidade, do orgulho que se irrita com a menor contradição, do egoísmo que só se interessa por si. 

Uma sociedade em que esses sentimentos dominassem, onde os seus membros se reunissem com o fim de se instruírem e não com a esperança de ver apenas novidades, ou para fazer prevalecer a sua opinião, seria não somente, mas também indissolúvel. A dificuldade de reunir ainda numerosos elementos dessa maneia homogênea leva-nos a dizer, que no interesse dos estudos e para o bem da própria causa, as reuniões umbandistas devem multiplicar-se mais pela constituição de pequenos grupos do que de grandes associações. 

Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando suas observações podem desde logo formar um núcleo da grande família umbandista que um dia reunirá todas as opiniões, unindo os homens no mesmo sentimento e fraternidade caracterizados pela caridade cristã.

Já vimos como é importante à uniformidade de sentimentos para obtenção de bons resultados. Essa uniformidade é naturalmente mais difícil de se obter quando o número de pessoas é maior. Nas pequenas reuniões, onde todos se conhecem melhor, tem-se mais segurança na introdução de elementos novos. O silêncio e a concentração tornam-se mais fáceis e tudo se passa como em família. As grandes assembléias não permitem a intimidade pela variedade de elementos de que se compõem. Exigem locais especiais, recursos pecuniários e um aparelhamento administrativo que os pequenos grupos dispensam. A divergência de caracteres, de idéias, de opiniões se revelam melhor, oferecendo aos Espíritos perturbadores mais facilidade para semear a discórdia. Quanto mais numerosa a reunião, mais difícil de se contentar a todos. Cada um queria que os trabalhos fossem dirigidos a seu gosto, que fossem tratados de preferência os assuntos que mais lhe interessam, e alguns julgariam que o título de sócio lhes daria o direito de impor os seus pontos de vista. Daí surgiriam protestos, causas de mal estar que levam cedo ou tarde à desunião e depois à dissolução, sorte de todas as sociedades de qualquer finalidade. 

Os pequenos grupos não estão sujeitos a essas dificuldades. A queda de uma grande sociedade pareceria um insucesso para a causa umbandista e seus inimigos não deixariam de explorá-la. A dissolução de um pequeno grupo passa despercebida, e se um se dispersa, vinte outros se formam a seguir. Ora, vinte grupos de quinze a vinte pessoas obterão mais e farão mais para a divulgação do que uma assembléia de trezentas e quatrocentas pessoas. 

Dir-se-á por certo que os membros de uma sociedade, agindo como dissemos, não seriam verdadeiros umbandistasdesde que o primeiro dever que a Umbanda impõe é o da caridade e da benevolência. Isso é perfeitamente justo. E por isso os que assim pensam são umbandistas mais de nome que de fato. Mas quem diria que podem mesmo ser chamados de umbandistas? Aqui se apresenta uma consideração de certa gravidade. 

Não nos esqueçamos de que a Umbanda tem inimigos interessados em impedir-lhe o desenvolvimento e que vêem com despeito os seus sucessos. Os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem na sombra, os que o acariciam com uma das mãos e o apunhalam com a outra. Esses seres malfazejos se infiltram por toda à parte onde possam fazer mal. Sabendo que a união é uma força trata de destruí-la, semeando a discórdia. Quem poderá então dizer que os que provoquem perturbações nas reuniões não sejam agentes provocadores, interessados na desordem? Seguramente não são verdadeiros nem bons umbandistas, pois não podem fazer o bem e sim muito mal. Compreende-se que tenham muito mais facilidade de se infiltrar nas reuniões numerosas do que nos pequenos grupos em todos se conhecem. Graças a manobras escusas, que passam despercebidas, semeiam a dúvida, a desconfiança e a inimizade. Sob a aparência de interesse pela causa criticam tudo, formam grupinhos que logo rompem a harmonia do conjunto. É o que eles querem.

Tratando com essas pessoas é inútil apelar aos sentimentos de caridade e fraternidade, seria como falar a surdos voluntários, porque o seu objetivo é precisamente o de destruir esses sentimentos que são o maior obstáculo às suas manobras. Essa situação, prejudicial a todas as sociedades, o é ainda mais às sociedades umbandistas, pois se não levar a uma ruptura provocará preocupações incompatíveis com o recolhimento exigido pelos trabalhos. As sociedades, pequenas ou grandes e todas as reuniões, seja qual for a sua importância, têm ainda de lutar contra outra dificuldade. Os fatores de perturbação não se encontram somente entre os seus membros, mas também no mundo invisível. 

Assim como há Espíritos protetores para as instituições, as cidades e os povos, os Espíritos malfeitores também se ligam aos grupos e aos indivíduos. Ligam-se primeiro aos mais fracos aos mais acessíveis, procurando transformá-los em seus instrumentos, e pouco a pouco, vão envolvendo a todos, porque sua alegria maligna é tanto maior quanto maior o número dos que tenham subjugado. Todas às vezes, pois, que num grupo uma pessoa tenha caído na armadilha é necessário dizer que se tem um inimigo no campo, um lobo no redil a que se deve ter cautela porque o mais provável é que aumente as suas tentativas. Se não se desencorajar esse elemento por uma resistência enérgica. A obsessão se torna um mal contagioso que se manifestará entre os médiuns pela perturbação da mediunidade e entre os demais pela hostilidade recíproca,a perversão do senso moral e a destruição da harmonia. 

Como o mais poderoso antídoto desse veneno é a caridade, é ela que eles procuram abafar. Não se deve pois esperar que o mal se torne incurável para lhe aplicar o remédio

Nem mesmo se devem esperar os primeiros sintomas, pois é necessário sobretudo preveni-lo. Para isso há dois meios eficazes, quando bem aplicados: a prece feita de coração e o estudo atento dos menores sintomas que revelem a presença de Espíritos mistificadores. A primeira atrai os Espíritos bons que só assistem zelosamente aos que sabem secundá-los pela confiança em Deus; o outro prova aos maus que se puseram em relação com pessoas esclarecidas e bastante sensatas para não se deixarem enganar. A influência do meio decorre da natureza dos Espíritos e da maneira por que agem sobre os seres vivos. Dessa influência cada qual pode deduzir por si mesmo as condições mais favoráveis para uma sociedade que aspire a atrair a simpatia dos Espíritos bons, obtendo boas comunicações a afastando as más. Essas condições dependem inteiramente das disposições morais dos assistentes. 

Podemos resumi-las nos seguintes pontos:

Perfeita comunhão de idéias e sentimentos;
Benevolência recíproca entre todos os membros;
Renúncia de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã;
Desejo uníssono de se instruir e de melhorar pelo ensinamento dos Espíritos bons e aproveitamento de seus conselhos. 


Quem estiver convencido de que os Espíritos superiores se manifestam com o fim de nos fazer progredir e não para nos agradar, compreenderá que eles devem se afastar dos que se limitam a admirar o seu estilo sem tirar nenhum fruto das suas palavras e só são atraídos às sessões pelo maior ou menor interesse que elas oferecem, de acordo com seus gostos particulares;

Exclusão de tudo o que nas comunicações solicitadas aos Espíritos só tenha por objetivo a curiosidade;
Concentração e silêncio respeitoso durante as conversações com os Espíritos;
Associação de todos os assistentes pelo pensamento no apelo aos Espíritos evocados;
Concurso de todos os médiuns, com renúncia de qualquer sentimento de orgulho, de amor próprio e de supremacia, com o desejo único de se tornarem úteis.

Essas condições serão tão difíceis de preencher que não se encontrem quem possa satisfazê-las? 


Não pensamos assim. Esperamos, pelo contrário, que as reuniões verdadeiramente sérias, como as já existentes em diferentes lugares, se multiplicarão e não hesitamos em dizer que a elas a Umbanda deverá a sua mais ampla divulgação.

Unindo os homens honestos e conscienciosos elas imporão silêncio à crítica, e quanto mais puras forem as suas intenções mais serão respeitadas, até mesmo pelos seus adversários. 



Quando a zombaria ataca o bem deixa de provocar o riso e torna-se desprezível. 


Entre as reuniões dessa espécie é que se estabelece laço de real simpatia, uma solidariedade mútua, pela própria força das circunstâncias, contribuindo para o progresso geral.


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Conforme dito no início, utilizei-me de trechos do Livro dos Médiuns - Cap. 29 - Reuniões e Sociedades Espíritas - item 334 em diante.

sábado, 12 de maio de 2012

Conversa com Preto-Velho - por Roberto Angeli Neto

Salve lista,

Estes dias eu estava firmando meu altar, quando o faço procuro me concentrar para que meus guias e mentores espirituais possam me dar alguma instrução, caso se faça necessario. A maioria das vezes nada aconteçe, porém esta semana que passou tive uma rapida conversa com o Preto-velho que trabalha comigo e recebi uma mensagem que achei muito legal, e gostaria de compartilha-la, vou incluir a conversa logo abaixo:


“- Save meu filho, você sempre pede para trazermos alguma coisa para você hoje eu vim lhe fazer uma pergunta!

- Suas bençãos meu Pai, save suas forças, e muito obrigado por tudo que vós faz por mim.

- Meu filho, você acredita em Zambi? Acredita na existencia de uma força maior e superior a todos nós?

- Sim meu Pai, acredito!

- E você acredita ser filho de Zambi?

- Sim meu Pai acredito que todos somos!

- Então nós podemos dizer que você é parte de Zambi?


...depois de pensar alguns segundos respondi...

- Sim meu pai acredito que podemos dizer isso sim!

- Então parte de Zambi é você! correto?

- É meu pai, vendo por este lado, esta correto sim!

- Meu filho, você tem sua fé completa em Zambi?

- Tenho meu pai!

- E em você?

- As vezes não meu pai, as vezes duvido de mim mesmo!

- Então você não tem sua fé completa em Zambi!

... fiz cara de interrogação, e ele continuou...

- Se Zambi está no mais alto dos altos e parte dele está em você, não adianta olhar para os céus e dizer que acredita nele, sem olhar para dentro de você e dizer que acredita em você! Se Zambi está lá mas também esta aqui, temos que acreditar nele lá e nele aqui!

- Hummmm

- então meu filho, as vezes as pessoas, as vezes você, e muitos outros, pedem coisas a Zambi e não alcançam, depois preguejam ou colocam a culpa no tal do merecimento, quando na verdade faltou fé!


... permaneci em silencio quando ele concluiu...

- Faltou fé em uma parte importante de Zambi, a parte que esta dentro de cada um, somente acreditando em sí proprio o homem consegue fazer a diferença em sua própria vida e na vida dos seus irmãos. Muitos homens fazem diferença na vida das pessoas, observe cada um deles e você verá que a primeira coisa que eles tiveram foi a fé em si mesmo, foi a fé na pequena parte de Zambi que habita em cada um!

... Fiquei calado por um tempo, e o preto-velho me deixou refletindo, depois de algum tempo agradeci, ele se despediu e se foi, deixando o ensinamento para o filho de pouca fé.”

Pai Joaquim de Angola - SP. dia 01/06/2011

Um grande abraço a todos!
Beto Angeli
Médium do "NÚCLEO UMBANDISTA E DE MAGIA CABOCLO FLECHA CERTEIRA E PAI MANUEL DE
ARRUDA"


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Grande lição de Amor e Luz! Salve todos os Pretos Velhos!

sábado, 28 de abril de 2012

ESSAS DEFESAS NOS PROTEGEM?

Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça...

Todos criamos cascas protetoras, para nos defender dos outros. Bichos cascudos têm pouca mobilidade, e machucam os outros. Uma velha tradição diz que o ser humano faz tudo para ter prazer na vida, e evitar a dor. Verdade?

Normalmente não procuramos demonstrar o amor que sentimos, quando amamos. Amor é ruim? Feio? Dói? Também evitamos o choro, mesmo quando a vontade é grande. Choro é feio? Dói?

A mulher e o homem apaixonados se encontram. Têm vontade de pegar um na mão do outro, afagar o cabelo, abraçar, olhar nos olhos, puxar o nariz, brincar de faz de conta, manifestar ternura, contentamento, alegria, felicidade. Mas em geral não fazem nada disso. Tolhem os gestos mais espontâneos e ingênuos, que não são feios nem doem. Dariam prazer?

De fato (e INFELIZMENTE) na hora das coisas boas ficamos cheios de dedos. Não sabemos senti-las, muito menos nos entregar a elas. E usamos desculpas para esconder nossa incapacidade. Dizemos:
- Não estava na hora.
- Ele não é a pessoa certa.
- O lugar não era adequado.
- O que iriam pensar?
- Não devo, não sou dessas.

Verdade que procuramos prazer e evitamos a dor?

Acho que acontece o contrário: defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça. Os psicanalistas a chamam de defesa psicológica ou mecanismo de fuga ou de proteção.

Toda casca faz do indivíduo um especialista? Ele sempre responderá às incertezas do mesmo jeito. Por isso, se torna muito capaz numa direção, e incapaz na outra.

Alguns exemplos:



O desdenhoso sabe desdenhar espetacularmente, mas sua habilidade termina aí.

O orgulhoso é especialista em colocar-se acima das coisas, e incapaz de vivê-las.

O gozador tem grande capacidade em rir de tudo, porém, não sente nada de importante, já que tudo é risível.

O sério julga o mundo sério demais e achata a vida. Não sabe rir...

O displicente não leva nada a sério, então, não há nada que lhe interessa.

A ingênua diz com espanto nos olhos que tudo é novo, mesmo acontecimentos velhos de muitos anos. E não se enriquece com o acúmulo das experiências.

O cobrador vive exigindo que as pessoas cumpram sua obrigação, com isso elimina a possibilidade (e risco) das respostas espontâneas.
O desconfiado está sempre desconfiado e afasta as coisas boas que interpreta como malévolas.

A eterna vítima é técnica em queixar-se, portanto não se arrisca a viver uma situação agradável.

O Don Juan transforma a vida numa caçada às mulheres, porém é incapaz de amar alguém.

O falador interminável teoriza sobre tudo e não vive, a vida é um dicionário.

:: Esses são só alguns exemplos de cascas. Pois há tantas...e todas dificultam a vida. Como se fossem óculos escuros, impossibilitando a visão do arco-iris.

:: O cavaleiro medieval, armado de imponente armadura, investe contra o índio nu. Casca e não casca. Quem vai ganhar?

Se for preciso passar por uma ponte estreita (ou seja, por um momento difícil) é quase impossível manter o equilíbrio com a armadura. O índio ganha se surgir um perigo inesperado; como é que o cavaleiro se defenderá? Ele só sabe fazer as coisas de um jeito (é um especialista). O índio ganha. Se acontecer um empurrão (isto é, se as pressões sociais forem muitas), o cavaleiro não resiste e cai. O índio ganha.



Além disso, durante todo o tempo da luta, o encouraçado tem a respiração deficiente. Em conseqüência disso, ele pensa, sente e se mexe mal, pois a casca feita, na verdade, por tensões musculares que prendem, como uma roupa apertada, inibe todas as expansões.

Voltando aos exemplos:

Como o cavaleiro encouraçado, o desdenhoso, a vítima, o orgulhoso e os outros cascudos, especializados em suas defesas se movem, respiram, se sentem mal, vivem mal.
Todo bicho muito cascudo: tartaruga, besouro, morre quando cai de costas. ! Seria bom aprender esta lição !

A casca oprime, limita e sufoca. Nos torna burros em todas as reações que fogem a nossa especialidade. Nos deixa tenso e sem reações de forma que deixamos a vida passar sem realmente vivê-la, como se passa o tempo...


José Ângelo Gaiarsa - Couraça Muscular do Caráter (Wilhelm Reich) - Ed. Ágora - 4ª ed. - 1984

sexta-feira, 27 de abril de 2012

NA SENDA DA TUA ALMA – II* (ABDICA...)


Abdica da treva.
Senta-te ao Sol...
Que é em teu coração.
 
Abdica da vingança.
Pois tua senda não é essa.
E teus pés são de Luz.
 
Abdica de teu orgulho.
Pois é quinquilharia do teu ego.
Olha a rosa florescendo em teu peito...
 
Abdica de tua ignorância.
Torna-te sábio...
E abraça silenciosamente o mundo.
 
Abdica dos pensamentos pútridos.
Renova tua consciência
Olha a estrela à tua frente…
 
Abdica das más companhias.
Pois elas te levam para o abismo.
Tua grande parceira é a Luz.
 
Abdica das paixões corrompidas.
Desperta dos braços de Morfeus...
E entra consciente na senda espiritual.
 
Abdica do desejo de honrarias do mundo.
Porque a Luz que tu honras não é desse mundo.
E só pode ser reconhecida por poucos.
 
Abdica do canto melífluo das ilusões.
Com aura** dourada, caminha com fé…
Pois o Grande Arquiteto Do Universo guia teus passos.
 
Abdica do passado.
Olha o presente com valor.
E segue resolutamente para frente…
 
Abdica das noções de “eu e meu”.
Pois nem o corpo que habitas no momento é teu.
Tu és o que teus pensamentos e ações fazem de ti.
 
Abdica do desejo de superioridade sobre os outros.
Pois tu estás no mundo como todos.
Tu sabes que superior é o Céu.
 
Abdica de tua visão tacanha e fechada.
Tira as escamas dos teus olhos.
E vê a rosa dentro da estrela à tua frente.
 
Abdica de tudo que te afasta da Luz.
Obra em ressonância com os Magnos Ideais que te guiam.
Com passos leves, deixa o Amor te levar…
 
Abdica do desejo de ser imperador.
Tu não és César!
E tua choupana tem mais luz do que mil palácios.
 
Abdica da condição de neófito.
Tem coragem e torna-te iniciado espiritual...
E faze o bem, sem olhar a quem.
 
Abdica dos galardões e graus simbólicos que os homens te dão.
Pois só tuas atitudes é que comprovam o teu nível.
E se tu oras pelo bem da humanidade, tu és iniciado espiritual.
 
Abdica dos conflitos dentro de ti.
Senta-te ao Sol...
E, em teu coração, honra a Luz.
 
Paz e Luz
 
- Os Iniciados*** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 30 de Setembro de 2011.)
 
- Notas:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB – www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico: http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10462:1105-na-senda-da-tua-alma&catid=31:periodicos&Itemid=57  
** Aura – do latim, aura - sopro de ar – halo luminoso de distintas cores que envolve o corpo físico e que reflete, energeticamente, o que o indivíduo pensa, sente e vivencia no seu mundo íntimo; psicosfera; campo energético.
*** Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente.
Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista.
Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.

sábado, 21 de abril de 2012

Anencefalia - por Joana de Angelis

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.

De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.

Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.

Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.

Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.

Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.

Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.

Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...

Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
* * * * * *
É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.

Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.

Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...

Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.

Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.

Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.

... E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.

Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.

As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…
* * * * * *
Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.

Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.

Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

Joanna de Ângelis
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2011, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Nossos respeitos à Família Átila Nunes

Soubemos hoje, através de repercussões na rede, do falecimento do Primeiro Suplente de Deputado Federal Átila Nunes Neto, filho do Deputado Estadual Átila Nunes (PSL/RJ).


Segundo pude verificar até o momento, seu falecimento ocorreu no sábado último, tendo sido seu corpo cremado.


Até que haja um pronunciamento oficial da família, indicamos como fonte o blog do Diretório Regional do Partido Social Liberal;


http://www.paporeto17.com.br/2012/04/psl-em-luto.html


Nossos profundos respeitos à Família Átila Nunes, que as bençãos de Jesus, dos Orixás e da Corrente Sagrada de Umbanda lhes ampare e fortaleça, hoje e sempre!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Laicidade, Tolerância, Crucifixos

Para análise e reflexão, transcrevo trechos de textos e uma entrevista, encontrados no blog do jornalista Reinaldo Azevedo sobre os temas acima titulados.

Nesta semana houve uma decisão num tribunal do RS, dando ganho de causa para uma organização chamada Liga Brasileira de Lésbicas e outras entidades para que sejam retirados todos os crucifixos e outros símbolos religiosos das repartições da Justiça do Estado. A justificativa: o estado é laico.



O assunto não é novo, nem aqui nem no mundo,  e se faz necessária  a compreensão mais profunda e transparente da complexidade do tema. A entrevista dada pelo advogado que defendeu a causa no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem nos ajuda nesta busca. 


Para entender o caso (trechos copiados dos textos do blog do jornalista supracitado);

"Sole Lautsi, uma miliante do ateísmo, recorreu à Justiça italiana para que, atenção!, SE PROIBISSE a exposição de crucifixos nas escolas da Itália. Perdeu! Procurou então a Corte Européia. Numa primeira instância, ganhou. O estado italiano recorreu, e se deu o grande e final julgamento.
Por 15 a 2, o tribunal pleno da Corte Européia decidiu que as escolas italianas TÊM, SIM, O DIREITO, SE QUISEREM, DE EXIBIR O CRUCIFIXO. O advogado da Itália, no caso, foi Joseph Weiler, um judeu ortodoxo."

Uma aula de civilização e tolerância com o judeu ortodoxo que defendeu a presença de crucifixos nas escolas Italianas; a causa perdia por 17 a zero; ele virou o tribunal para 15 a 2. Vejam por quê
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/uma-aula-de-civilizacao-e-tolerancia-com-o-judeu-ortodoxo-que-defendeu-a-presenca-de-crucifixos-nas-escolas-italianas-a-causa-perdia-por-17-a-zero-ele-virou-o-tribunal-para-15-a-2-vejam-por-que/ 

Judeu convicto, especialista em Direito Constitucional, Joseph Weiler defendeu perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos o direito de a Itália ter crucifixos nas paredes das escolas e o direito da França de não os ter. E diz que esse pluralismo europeu é que é bom. Ganhou por 15-2.

Tinha acabado cinco horas de aulas, pediu apenas um prato de batatas fritas, que foi petiscando enquanto conversava. Joseph Weiler, nascido em 1951, é um judeu convicto. O que não o impediu de defender a possibilidade de haver (ou não) crucifixos nas paredes das escolas. Virou a opinião do tribunal, dos anteriores 17 a favor de retirar os símbolos religiosos da parede, para uns claríssimos 15 contra. Apenas dois juízes mantiveram a decisão anterior. E adverte: nem a Itália nem a França são neutros em matéria religiosa. Mas ambos devem educar para o pluralismo.

Especialista em Direito Constitucional europeu, Weiler é professor da Católica Global School of Law, da Universidade Católica Portuguesa, e, por isso, vem a Portugal várias vezes por ano.

Tem publicado Uma Europa Cristã (ed. Princípia). E publicará, até final do ano, um livro sobre o processo que condenou Jesus à morte. Nele defende que “o sentido de justiça, na civilização ocidental, provém do julgamento de Jesus”, explica ao Segundo Caderno de Público. O Papa disse, no seu último livro, que os judeus não foram responsáveis pela morte de Jesus. Weiler, judeu, irá dizer o contrário. E explicar por quê.

Público - [O sr.]Defendeu o crucifixo nas salas de aula italianas…

Jospeh Weiler - Tive uma vitória famosa, 15-2…

Defendeu essa posição como jurista ou como judeu e crente, em solidariedade com outra fé?

Depois da decisão, recebi centenas de e-mails. Muitos diziam “obrigado por defender o crucifixo”. Muitos outros, vindos da comunidade judaica, perguntavam: “Como pode o filho de um rabi defender o crucifixo?” A todos, aos que me felicitavam ou que me condenavam, respondi o mesmo: “Não defendi o crucifixo. Defendi o direito da Itália a ser Itália e o direito de França, onde a cruz é proibida, a ser a França.”

Ou seja, a possibilidade de leis diferentes…

Acredito no valor do pluralismo nas relações entre a Igreja e o Estado, que existe na Europa, onde temos vários modelos: o modelo francês, o britânico, o alemão, etc. Isso é parte da força da civilização europeia. A decisão da câmara, por 17 contra zero, dizendo que a Itália estava a violar a Convenção Europeia por ter uma cruz nas salas de aula, parecia-me tão drástica que forçaria todos a ser como França. Isso parecia-me completamente contra o pluralismo e tolerância que existe na Europa.

E escreveu o editorial no European Journal of International Law…

Sim. Dizendo que era uma decisão terrível. Como podia o tribunal decidir que a tradição na Grã-Bretanha, na Alemanha, em Malta, na Grécia ou na Dinamarca era contra os direitos humanos e a Convenção Europeia de Direitos Humanos? Perguntaram-me se queria ir ao tribunal. Concordei, com uma condição: seria pro bono, não queria que dissessem: “Olha o judeu, por dinheiro até é capaz de defender a cruz”. [ri] Decidi fazê-lo, porque acreditava que era a atitude certa. 

Não foi só a Itália a defender essa posição. 

Oito estados intervieram, convidando-me. A Itália defendeu a própria posição. O facto de ser judeu é irrelevante. Sou constitucionalista praticante e tal parecia-me errado, no âmbito da Convenção Europeia de Direitos Humanos. Há duas coisas mais importantes, que me parecem erradas, no âmbito da Convenção e que me ajudaram a reagir: estou verdadeiramente cansado do argumento, repetido à exaustão, de que o Estado é neutro, em matéria religiosa, quando não permite o crucifixo na parede.

E não é assim?

Tentei convencer a câmara de que esse é um argumento errado. Se o Estado quer que a cruz esteja na parede, não é neutro. De certa maneira, é tomar uma posição sobre a importância do cristianismo na identidade do país. Ou seja, há algo na identidade do país que se quer valorizar com a cruz na parede e essa não é uma posição neutral.

Mas quando o Estado, como em França, proíbe a cruz, não está a ser neutro. Porque não há uma parede nua, vazia. Qualquer coisa pode ser colocada na parede: se amanhã houver uma maioria comunista, podem dizer que em todas as escolas tem que haver uma foice e um martelo.

Podem?

Sim, e não há nada na Constituição que o impeça: pode ter uma fotografia de Karl Marx na parede, pode ter um sinal de paz, uma posição ecológica… De facto, em todas as escolas primárias de França, está escrito: Liberté, egalité, fraternité - o slogan mobilizador da Revolução Francesa.

Eu gosto disso, mas não é neutral. Se for monárquico, não é neutro, seguramente. Qualquer símbolo é permitido nas paredes: Karl Marx e Groucho Marx; o sinal de paz, a foice e o martelo, o símbolo “nuclear não”. Há apenas um que não é permitido: a cruz, um símbolo religioso. Como é que isso é neutro?

Nem a estrela de David nem o crescente islâmico…

Sim… As crianças podem ir para a escola e usar uma t-shirt com uma fotografia de Che Guevara, podem ter escrito Love and Peace, podem ter um insulto a George Bush, qualquer posição política ou ecológica, podem levar o triângulo cor-de-rosa pelos direitos dos gays. A única coisa que não podem levar é a cruz, a estrela de David e o crescente.

Nem podem vestir o chador…

Não… Isso não é ser neutro, é dar uma mensagem clara às crianças: tudo é permitido, excepto um símbolo religioso.

Na minha arguição, não disse que a França viola a Convenção Europeia por ter essa regra. Na tradição europeia, o Estado laico é uma opção respeitável. Mas não pretendam que seja neutro. Ele diz que tudo é permitido, excepto a cruz ou a estrela de David, e está a dar uma mensagem sobre religião.

No sistema italiano, apesar da cruz, há um dever educacional de respeitar os ateus e outras religiões. No sistema francês, onde se proíbe a cruz nas paredes mas se permite tudo o resto, há o dever de explicar aos estudantes que, apesar de se permitirem todos os símbolos excepto os religiosos, se deve ensinar o respeito pelos crentes. Nenhum dos sistemas é neutro. Em ambos está implícita uma espécie de preconceito. E em ambos é tarefa do sistema educativo contrabalançar as coisas para que a escola não ensine o preconceito mas a tolerância.

Esse era o seu primeiro argumento…

O segundo era: acreditamos na autodeterminação como direito fundamental. Acreditamos no direito de os britânicos serem britânicos e de os irlandeses serem irlandeses. A razão por que temos a Irlanda independente da Grã-Bretanha, em 1921, é porque os irlandeses são diferentes dos ingleses.

Como podemos imaginar a identidade irlandesa sem o catolicismo? No preâmbulo da Constituição irlandesa, diz: “Acreditamos que o Divino Senhor Jesus Cristo é a fonte de todo o dever, justiça e verdade.” Isto é o que são os irlandeses. O que vamos dizer-lhes? Não permitimos um sentido de nacionalidade que tem um tal conteúdo religioso?

O que é bonito na Europa, mesmo apesar da Constituição irlandesa, é que não há discriminação por causa da religião. Um judeu pode ser primeiro-ministro. Como um muçulmano ou um ateu. E aceitará que é impossível falar da identidade irlandesa sem o catolicismo e a cruz. Para o bem e o mal.

Mas é possível também que as sociedades mudem?

Mas compete às sociedades mudar. Na minha arguição - que é curta, eu só tinha 20 minutos -, dizia que, se um dia os ingleses decidirem deixar de ter o Anglicanismo como religião oficial, podem fazê-lo. Não é um país religioso, a maior parte dos britânicos não é religiosa. Mas faz parte da sua identidade.

Os suecos mudaram a Constituição e decidiram que a Igreja Luterana deixaria de ser a religião estabelecida no país. Mas foram eles que definiram a sua identidade sueca, não foi Estrasburgo. Não compete a Estrasburgo dizer que eles não podem ter uma cruz na bandeira. Eles deixaram de ter a Igreja oficial mas mantiveram a obrigação de o rei ser um luterano. O símbolo do Estado tem que ser um luterano. 

Na sua arguição, afirmou também que este é um conflito entre o direito individual e o Estado. No caso italiano, tratou-se precisamente de uma mãe ofendida pela presença da cruz…

Em muitos casos, temos um conflito entre diferentes direitos fundamentais. O hino nacional inglês é uma oração: “God Save the Queen”, dá-lhe vitórias e glórias. Na escola, canta-se o hino nacional. E se houver um estudante que diz “sou ateu, não creio em Deus e não quero cantar uma oração”? O direito individual estará comprometido se a escola forçar esse estudante a cantar o hino nacional e se o ameaçar de expulsão. Ninguém pode ser forçado a fazer um acto religioso, uma oração, mesmo quando não acredita…

Pode ser um republicano…

Claro, não tem que dizer “Deus salve a rainha”. Isso eu aceito. Mas não aceito que esse estudante ou a sua mãe digam que mais ninguém deve cantar o hino. É um compromisso simpático: ele tem o direito de ficar em silêncio, os outros o direito de cantar. E todos têm direito à liberdade religiosa.

A minha mãe cresceu no Congo Belga. A única escola para brancos era um convento católico. Os pais dela fizeram um acordo com as freiras: cada vez que elas dissessem Jesus, a minha mãe diria Moisés. É um bom compromisso.

Não podemos permitir que a liberdade de [ter ou não] religião ponha em causa a liberdade religiosa. Temos que descobrir a via média. E essa é dizer não, se alguém quiser forçar outro a beijar ou a genuflectir perante a cruz. Mas, se houver uma cruz na parede, direi aos meus filhos que vivemos num país cristão. Somos acolhidos, não somos discriminados. A Dinamarca tem uma cruz na bandeira, a Inglaterra e a Grécia igual. Vamos pedir que, por causa da liberdade religiosa, tirem a cruz das bandeiras? Absurdo!…
 
É por causa disso que fala de argumentos iliberais?

Sim, porque o ponto de vista liberal é, muitas vezes, iliberal. As pessoas falam de liberdade religiosa, mas, de facto, muitas vezes é cristofobia. Não é neutralidade, é antes porque não gostam do cristianismo e da Igreja. Sei por quê: a Igreja tem uma história complicada…

É também por causa disso?

Claro. Compreendo, mas não devemos mascarar os factos. Vivemos numa sociedade em que algumas pessoas são religiosas, outras não. A questão é como vivemos juntos. Não podemos pretender que, se negarmos todas as religiões no espaço público, isso é neutro. É o que faz a França, mas não é o único modo de o fazer.

Então deveria ser possível ter uma cruz na sala de aula e educar os estudantes para o pluralismo?

Absolutamente. Seria uma lição de pluralismo. Porque diríamos: apesar de ter uma cruz na sala de aula ou uma cruz nas bandeiras, permitimos que um primeiro-ministro seja muçulmano ou judeu. A Itália teve primeiros-ministros, generais e ministros judeus.

Na Grã-Bretanha, o chefe de Estado é o chefe da Igreja, há uma Igreja de Estado, o hino nacional é uma oração. Quem diria que o país não é tolerante? É o país de eleição para muitos muçulmanos emigrantes. O facto de haver uma identidade religiosa e uma prática de não-discriminação é um sinal de uma sociedade pluralista e tolerante.

De certa maneira, a Grã-Bretanha com a cruz é mais pluralista e tolerante do que a França, sem a cruz. Porque na Grã-Bretanha, apesar de afirmar a identidade religiosa do Estado, é não discriminatória em todos os aspectos da vida. Financia escolas anglicanas, mas também católicas, judias, muçulmanas e seculares. Os países laicos financiam escolas seculares, mas não escolas religiosas. Quem é mais tolerante e pluralista? 

Evocou a herança cristã da Europa, debatida a propósito da Constituição Europeia. Se ela tivesse avançado, também devia referir a herança judaica e muçulmana e a Revolução Francesa?

Deveria ter uma referência às raízes cristãs.

E judaicas e muçulmanas. Na Península Ibérica, por exemplo…

Na Europa, também há vegetarianos. É uma questão de grau. Temos que mencionar judeus, muçulmanos, baha”ís? Eu também falaria de raízes judaicas e muçulmanas na cultura hispânica. Mas, na Europa, a maior parte é cristã. Não falaria de raízes cristãs no Egipto, mesmo havendo uma minoria cristã no país.

De um ponto de vista cultural, o cristianismo jogou um papel decisivo na definição da civilização europeia. Para o bem e para o mal. As raízes cristãs são também a Inquisição, judeus queimados. Quando eliminamos as raízes cristãs, obliteramos também a memória das coisas más que a cristandade fez.

Não há uma cidade na Europa sem uma catedral, onde o museu não esteja cheio de pintura sacra. E os direitos humanos não derivam apenas da Revolução Francesa, derivam da tradição judaico-cristã. Porque queremos negar isso? O que se vê no Prado, no Museu Gulbenkian? Madonna con bambino… Isso não é a Europa? É um absurdo.

É possível coexistir a laicidade francesa e outros modelos?

Claro, essa é a riqueza da Europa. A Europa lidera pelo exemplo, não pela força. Gostaríamos que por todo o mundo houvesse democracias pluralistas e tolerantes. Que possibilidades há de persuadir alguns países muçulmanos a abraçar o pluralismo se dissermos que a religião deve ficar na esfera privada?

Podemos dizer à Arábia Saudita: podem tornar-se uma democracia, reconhecer os direitos humanos e manter a vossa identidade muçulmana. Reparem no que se passa na Grã-Bretanha, reparem no pluralismo europeu: há um modelo francês, um britânico, um grego. Não somos apenas como os franceses. 

Tem amigos entre os católicos conservadores, mas também defende os direitos dos homossexuais, o que não é simpático para esses católicos…

Que posso eu fazer? Vieram ter comigo, quando começaram a falar dos direitos dos homossexuais. A questão não era o casamento homossexual, mas porque têm os homossexuais de ser discriminados? Não há razão para isso.

Mesmo hoje, ensino os meus alunos como crente, mas digo-lhes: ninguém deve perder o emprego por ser homossexual, a ninguém deve ser negado alojamento por ser homossexual. Nos campos nazis, exterminaram os judeus e os homossexuais. Não posso esquecer isso.