quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mediunidade e Espiritualidade 2011 - Maísa Intelisano

É com imensa alegria que faço a divulgação e incentivo a todos que participem do Curso Mediunidade e Espiritualidade 2011, ministrado por Maísa Intelisano e Carlos Henrique Souto.


Especialmente pela postura de universalidade adotada, mas com imensa dose de discernimento e conhecimento, eis as informações;


Mediunidade e Espiritualidade - Turma 2011


INÍCIO: 12 de fevereiro de 2011 – sábado, às 9h
Curso com duração de um ano, voltado ao estudo teórico-prático da mediunidade e dos fenômenos extra-sensoriais humanos e suas implicações físicas, mentais, psicológicas e espirituais.

TÓPICOS A SEREM ABORDADOS:
  • mediunidade: histórico; mitos e fatos; melhores práticas;
  • animismo e mistificação;
  • bioenergias: duplo etérico, perispírito, aura e chacras;
  • obsessão e desobsessão;
  • formas-pensamento;
  • projeção da consciência (experiência fora do corpo; viagem astral);
  • ectoplasma e materializações;
  • sintomas, bioenergéticos, sintomas mediúnicos e fenomenologia orgânica da mediunidade;
  • fenômenos mediúnicos, fenômenos anímicos e estados ampliados de consciência;
  • o fenômeno mediúnico em várias correntes espiritualistas, como Umbanda e Candomblé, por exemplo;
  • o fenômeno mediúnico e suas implicações psicológicas;
  • práticas bioenergéticas comparadas, como cromoterapia, passe, reiki e cura prânica, entre outros;
  • estudo do mecanismo de vários fenômenos mediúnicos e psicoespirituais;
  • a mediunidade no Brasil e no mundo;
  • estudo, desenvolvimento e prática do Método das 5 Fases de Edgard Armond.
MÉTODO:

Aulas expositivas fartamente ilustradas com slides, além de palestras, debates e discussões. Serão conduzidas práticas para sensibilização energética e ampliação da percepção, bem como práticas mediúnicas.

FACILITADORES:

- MAÍSA INTELISANO
(www.maisaintelisano.com.br / www.stum.com.br/maisaintelisano)  
Pesquisadora, palestrante, dirigente e instrutora de cursos teóricos e práticos na área de parapsiquismo, mediunidade, percepção extra-sensorial, bioenergias e autoconhecimento, com mais de 30 anos de experiência pessoal com a paranormalidade.
Dirigente e facilitadora  de cursos e trabalhos bioenergéticos e  de orientação espiritual há mais de 10 anos. Reikiana nível II e estudiosa de tradições orientais e ocidentais, tem formação em Abordagem Transpessoal, Florais de Bach e Terapia Regressiva e Bioeletrografia, com atendimentos em São Paulo. É colaboradora do IPPB - Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas -, da Oficina de Consciência  e também da Lista Voadores, além de escrever para a Revista Espiritismo & Ciência e a Revista Cristã de Espiritismo. 

- CARLOS HENRIQUE (C.H.) SOUTO
Pesquisador, palestrante e instrutor de grupos teóricos e práticos de mediunidade, espiritualidade,  parapsiquismo,  percepção extra-sensorial, bioenergias e autoconhecimento.
Dirigente e facilitador  de cursos e trabalhos bioenergéticos e  de orientação espiritual há mais de 5 anos. Médium, Yogue, Tarólogo e Reikiano  nível 2, com experiência em atendimento e aconselhamento espiritual. Cursando pós-graduação em psicologia transpessoal.

OUTRAS INFORMAÇÕES:
- Início: 12 de fevereiro de 2011;
- Término: 10 de dezembro de 2011;
- Horário: aulas sempre aos sábados - das 9h às 12h30;
- Local: IPPB - Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas ;
- Endereço: Rua Gomes Nogueira, 168 - Ipiranga - São Paulo – SP;
- Fones: begin_of_the_skype_highlighting              (11) 2063-5381      end_of_the_skype_highlighting ou 2915-7351;
 (11) 2063-5381
- Inscrições e informações SOMENTE com a facilitadora pelos e-mails alfamintelis@yahoo.com, mintelis@gmail.com, ou maisa@maisaintelisano.com.br.Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

VAGAS LIMITADAS

Apoio: IPPB - INSTITUTO DE PESQUISAS PROJECIOLÓGICAS e BIOENERGÉTICAS -  www.ippb.org.br       







sábado, 8 de janeiro de 2011

Poema de Ano Novo

Recebi da Amiga de Alma Regina Papassoni, nem preciso falar mais nada...



Poema de Ano Novo

Ter asas é Dançar na chuva...
É plantar uma árvore...
Ver a inocência nos olhos de uma criança...
É ficar bem quietinho ao lado da pessoa amada...
É subir uma montanha...
É encontrar os amigos e não falar nada importante, mas falar, falar muito...
É cantarolar uma música antiga...
É arrumar as gavetas, e dar um monte de roupa para quem precisa...
É andar sem rumo, só por andar...
É falar sozinho...
É sorrir para aquele velhinho lá da praça...
É ficar sentado na cozinha, assistindo a mãe fazer bolo...
Ter asas é raspar a panela de brigadeiro com os dedos...
É brincar...
É rir de si mesmo...
E ficar de bobeira...
É tomar um banho de cachoeira, nadar em um rio...
Ir para a praia, se cobrir de areia e pegar jacaré...
Do dia a dia...
Ter asas é ficar em silêncio e ouvir dentro da gente, o Deus Emanuel.
Que você tenha asas como das águias!!!!
Que a lua e as estrelas emprestem um pouco do seu brilho, para iluminar o novo ano
e que Deus nos dê "asas de águia" para voarmos bem alto na construção de um mundo melhor.

FELIZ ANO NOVO!!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ano Novo, o que virá dentro deste ovo?

Ano Novo - Mário Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:


- Ó delicioso vôo!


Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:


- Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?


E ela lhes dirá


( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:


- O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …




É isso que eu espero que venha...

sábado, 25 de dezembro de 2010

Se vale o trem do Adoniran, prq não a viola do Tião Carreiro?

Desde já deixo claro que este texto é como se diz, legislando em causa própria...

Recebi em meados de novembro, um e-mail da lista de grupos do prezado irmão de fé Alexandre Cumino, intitulado "Trem das Onze", e se somente agora resolvi dar tratos à bola sobre o mesmo é prq assim se deu na minha cachola o espaço para tal. Trata o referido e-mail de um culto ocorrido em agosto aos Exus, Pombas-Giras, Exus Mirins e Zé Pelintra, entidade prezadíssima, em especial, aos seguidores da Teologia de Umbanda Sagrada, ainda que seja um Mestre do Catimbó, recebendo vários epítetos e sendo um verdadeiro curinga.


Neste culto, segundo relata o e-mail, no momento da despedida dos vários "Zés" ali presentes, cantou-se a música conhecidíssima de Adoniran Barbosa, ícone do samba paulista, Trem das Onze, para espanto de alguns, porém como os "Zés" nada disseram, ficou como que aprovado, tanto que o próprio Cumino deixou claro que dali por diante, a música passaria a ser ponto de despedida.

Concordo com o prezado irmão quando diz que em cada terreiro, a autoridade máxima é o mentor da Casa ( o que me faz lembrar que os originais mentores de um Terreiro de Umbanda, ainda são ao menos para este servidor, Caboclo e PretoVelho), sendo assim, firmo posição que auto-crítica e lucidez são fatores fundamentais na proposta libertadora de consciências, que acredito ser o objetivo, na existência de um verdadeiro Terreiro de Umbanda. Até onde vivi, os Mentores de Umbanda, propõem e não impõem. E mesmo sendo autoridades máximas dentro de um Terreiro, obedecem e seguem uma Lei Maior.

Não tenho a pretensão de dizer o que pode ou não pode no chão dos outros, cada um que resolva o que serve ou não para si e sua vivência de Umbanda, quem cria nepotismos dentro dos terreiros desde antanhos, somos nós os encarnados, às vezes por nós mesmos, às vezes influenciados por espíritos, SE nós encarnados vamos placidamente acatar, já quem cala consente, ainda mais quando o assunto é "veio do espiritual" ou usar do atributo do livre-arbítrio para perguntar, aí é outra conversa.

Por isso mesmo, aproveitando que a deixa foi dada, uma coisa puxa a outra, se pode a música de Adoniran Barbosa, afeita  a Umbanda paulistana, prq não posso incorporar a música de Tião Carreiro e Pardinho, sem me rotular como ortodoxo ou aos outros de permissivos, mas apenas um observador do que seja a essência, da raiz, nas nossas giras? Sou do interior, de Bauru, gosto de sertaneja como diz meu tio Neno, tocada no pinho, e já que a Umbanda se regionaliza, se adapta, absorve e ressignifica... 

Gosto também de Led Zeppelin, Who, Rolling Stones, Mozart, Debussy, Bach, Villa Lobos, mas aí não sei se aguento tamanha diversidade.

Quem se dispuser a pesquisar as músicas desta dupla sertaneja, vai descobrir o quanto eles falam sobre Preto Velho e Caboclo, e se forem mesmo atrás vão descobrir até sobre Baianos e Boiadeiros,prá ajudar; Preto Velho, Azulão do Reino Encantado, Pai João, Preto de Alma Branca, Pretinho Aleijado, Sete Flechas, Baiano no Coco, Boiadeiro é boi também, entre outras.

Até deixo alguns exemplos, prá quem tiver olhos prá ver, de como casa diretinho, mas antes de sair cantando lá no nosso terreiro, vou perguntar antes aos nossos Mentores qual a opinião deles, vai que o gosto musical não bate não é mesmo?


Arapô, Arapô (Tião Carreiro e Lourival dos Santos)



Ara pô, ara pô (bis)
É ponto de nego véio
De Jongueiro cantador
É no A e é no R
É no P e é no O
Amarrei o leão na linha
E o leão não escapou
Pode crer meu sinhô

É no estilo de jongo
Que cantar agora eu vou
Fui levar uma boiada
Dona Júlia quem comprou
Ela esperou na porteira
O gado ela contou
Ela comprou mil cabeças
Novecentas só passou
Dona Júlia era sabida
Mas comigo se enganou, ara pô, ara pô


Ara pô, ara pô (bis)
É ponto de nego véio
De Jongueiro cantador
É no A e é no R
É no P e é no O
Amarrei o leão na linha
E o leão não escapou
Pode crer meu sinhô


Entrei na roda do jongo
Negro véio me falou
Eu tinha um laço de imbira
Quando eu era laçador
Eu fui amansar uma tropa
Só de burro pulador
Quem levou laço de couro
Foi só laço que estourou
Meu laço era de imbira
Meu laço não rebentou, ara pô , ara pô


Abrindo Caminho

http://www.4shared.com/audio/eMKncFtR/Tio_Carreiro__Pardinho_-_Abrin.html

Eu tenho um bom protetor
Que me segue todo dia
Eu tenho um bom protetor
Que me segue todo dia
Nossa paz, nosso sussego
Só quem dá é o nosso guia


Quando eu saio de casa
Eu deixo uma vela acesa
Que a chama só alegria
Combater toda tristeza
A proteção do meu guia
É minha maior riqueza

"Só quero amor e saúde
E bastante pão na mesa"

Eu tenho um bom protetor
Que me segue todo dia
Eu tenho um bom protetor
Que me segue todo dia
Nossa paz, nosso sussego
Só quem dá é o nosso guia

"Nossa paz, nosso sussego
Só quem dá é o nosso guia`

É Deus quem manda no mundo
Que se salve quem poder
Só sai vencedor na terra
Quem bom protetor tiver
Minha porta ninguém abre
Ninguém fecha o meu caminho
Muita gente me vê só
Mas eu nunca estou sozinho

"Muita gente me vê só
Mas eu nunca estou sozinho"


Fundanga 
http://letras.terra.com.br/tiao-carreiro-e-pardinho/1656606/


Bota fogo na fundanga tira este mal de mim
Fumaça benta que sobe traz meu amor pra mim (bis)

Um dia desse eu briguei com a minha namorada
Tem gente queimando vela pra roubar a minha amada
Feiticeiro trabalhou até alta madrugada
Encontrei o seu lencinho jogado na encruzilhada.

Coitadinha sofre tanto não me esquece um só momento
Se eu perder os seus carinhos vai dobrar meu sofrimento
Feiticeiros quem ver o fim do nosso casamento
Sofre eu sofre e sofre ela é grande o padecimento.

Bota fogo na fundanga tira este mal de mim
Fumaça benta que sobe traz meu amor pra mim (bis)

Qualquer dia vou baixar naquela famosa aldeia
Quero dar tanta pancada que os caboclos desnorteia
E o bando de feiticeiro eu vou cortar de correia
Depois quero que a policia leve todos pra cadeia.

Essa luta eu não perco vou com Deus no coração
Tenho fé no meu São Jorge pai Canário e Pai João
Vou Tirar o Meu amor dessa grande confusão
E colocar aliança no dedo da sua mão.


E prá quem julgar que estou sendo preconceituoso, intolerante em relação a entidade Zé Pelintra, deixo uma sugestão, com vídeo e letra, também do Tião Carreiro, tomara que gostem;

Malandro da Barra Funda

http://letras.terra.com.br/tiao-carreiro-e-pardinho/1785365/



Deixa a gira girar, chora viola!!!!!













sábado, 18 de dezembro de 2010

O vôo da águia - no tempo certo...

Que assim seja para quem acredita que o abismo não é sinônimo de morte!

O vôo da águia
Affonso Romano de Sant'Anna

Já que estamos nesse clima de recomeçar, com a alma limpa para novas coisas, vou iniciar transcrevendo algo que recebi. Havia pensado em outra crônica, coisa tipo "propostas para um novo milênio", como o fez Ítalo Calvino. Mas às vezes um texto parabólico, elíptico, pode nos dizer mais que outros pretensamente objetivos. Ei-lo:

"A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.

Nessa idade, suas unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.

Nesse momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias.

A nossa águia decidiu enfrentar o desafio. Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o vôo de renovação e viver mais 30 anos."

Esse texto foi mandado como um cartão de fim de ano pela Rose Saldiva, da Saldiva Propaganda. Tem mais um parágrafo explicitando, comentando essa parábola e o titulo geral é "Renovação".

Achei que você ia gostar de tomar conhecimento disto, sobretudo quando janeiro nos inunda com sua luz.

Este texto vale mais que mil ilustrações.

Sei como é difícil uma nova ou surpreendente idéia para cartão de fim de ano. Mas esse, além de bater fortemente em nosso imaginário, dispara em nós uma série de correlações e desdobramentos.

A: abertura é seca e forte. Não há uma palavra sobrando. Parece as batidas do destino na Quinta Sinfonia de Beethoven. 

Releiam. "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.” ·

Já li em algum lugar que Jung dizia que, em torno dos 40, alguma coisa subterrânea começa a ocorrer com a gente e os seres humanos sentem que estão no auge de sua força criativa. É quando podem (ou não) entrar em contato com forças profundas de sua personalidade.

Já ouvi de especialistas em administração de empresas que tem uma hora em que elas começam a crescer e seus dirigentes têm que tomar uma decisão — ou fazem com que cresçam de vez assumindo mais pesados desafios ou, então, fecham, porque ficar estagnado é apenas adiar a morte.

Já mencionei em outras crônicas o personagem Jean Barois (de Roger Martin du Gard) que fez um testamento aos 40 anos, quando achava que estava no auge de sua potência intelectual, temendo que na velhice, carcomido e alquebrado, fizesse outro testamento que negasse tudo aquilo em que acreditava quando jovem. Com efeito, envelhecendo, fez realmente outro testamento que desautorizava e desmentia o anterior. É que sua perspectiva na trajetória da vida mudara, como muda a de um viajante ou a do observador de um fenômeno.

O ano está começando.

Mais grave ainda: um século está se iniciando.

Gravíssimo: mais que um ano, mais que um século, um novo milênio está se inaugurando.

Três vezes Sísifo: o ano, o século, o milênio.

Sísifo — aquele que foi condenado a rolar uma pedra montanha acima, sabendo que quando estivesse quase chegando no topo — cataprum!... a pedra despencaria e ele teria que empurrá-la, de novo, lá para o alto.

Pois bem: "A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Nesta idade suas unhas estão compridas. Não conseguem mais agarrar as presas das quais alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.” ·

Nossa sociedade pensou ter inventado uma maneira de resolver, nos seres humanos, o drama da águia: a cirurgia plástica. Silicone aqui e acolá, repuxar a pele acolá e aqui, pintar e implantar cabelos. Isto feito, a águia sai flanando pelos salões, praias, telas, ruas, escritórios e passarelas.

Mas aquela outra águia prefere uma solução que veio de dentro. Talvez mais dolorosa. Recolher-se a um paredão, destruir o velho e inútil bico, esperar que outro surja e com ele arrancar as penas, num rito de reiniciação de 150 dias.

Então a águia, digamos, acabou de descasar.

(Tem que redimensionar seu corpo e seus desejos, desmontar casa e sentimentos, realocar objetos e sensações, reassumir filhos.)

Então a águia, digamos, acabou de perder o emprego.

(Tem que descobrir outro trajeto diário, outras aptidões, enfrentar a humilhação.)

Então, a águia,digamos, acabou de mudar de país.

(A crise ou o amor levou-a a outras paragens, tem que reaprender a linguagem de tudo e reinventar sua imagem em outro espelho.)

Então, a águia, digamos, acabou de perder alguém querido.

(É como se uma parte do corpo lhe tivessem sido arrancada, sente que não poderá mais voar como antes, que o azul lhe é inútil.)

Então, a águia, digamos, está numa nova situação em que está sendo desafiada a mostrar sua competência.

(Tem medo do fracasso, acha que não terá garras nem asas para voar mais alto.)

Então, a águia, digamos, andou olhando sua pele, sua resistência física, certos achaques de velhice.

Pois bem. Há que jogar fora o bico velho, arrancar as velhas penas, e recomeçar.

Época de metamorfose.

Os estudiosos da metamorfose dizem que não apenas larvas se transformam em borboletas. Para nosso espanto as próprias pedras passam também por silenciosas metamorfoses.

Enfim, parece que estamos condenados à metamorfose. Morrer várias vezes e várias vezes renascer. Até que, enfim, cheguemos à metamorfose final, onde o que era sonho e carne se converte em pó.

Mas que fique sempre no azul o imponderável vôo da águia.

Texto extraído do jornal “O Globo”, Segundo Caderno, edição de 03/01/2001, pág. 8.

domingo, 10 de outubro de 2010

Umbandistas, preparem o couro, a fervura vai aumentar.

A "festa da democracia" acabou, mas os resultados mostram, sendo um pouco pessimista vai, que a fervura pro lado dos umbandistas e religiões afro vai aumentar.

No Rio de Janeiro os Átila Nunes não foram reeleitos e em São Paulo até onde sei, não foi eleito nenhum candidato que representasse mais diretamente os interesses da comunidade.

Qual será o preço pago pelo desinteresse?, desconfiança?, desunião?, interesses escuros?, falta de uma plataforma clara de propostas que não fique apenas no discurso de que somos "coitadinhos", "perseguidos" e precisamos de um líder salvador?

Leia o artigo abaixo e depois o complemento. Destaques em vermelho meus.

Eleição mostra influência das igrejas

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623104,0.php

Antes de os temas morais e religiosos 'invadirem' a campanha, os candidatos foram atrás do voto religioso, lembram analistas

10 de outubro de 2010 | 0h 00

Lourival Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

A estridência com que o debate moral e religioso emergiu para o topo da agenda nessa eleição presidencial criou a sensação de aumento da influência das igrejas sobre o voto, e de que os candidatos - em especial Dilma Rousseff - foram pegos de surpresa e vitimados pelo dilúvio bíblico.

Mas a religião está intensamente envolvida na política brasileira desde que o Descobrimento foi celebrado com uma missa. E os políticos - incluindo Dilma - têm lutado pelo voto religioso com a mesma sofreguidão com que pastores e bispos têm buscado influência e poder - seja por lobby ou por participação direta nos partidos.

Embora se mostre agora perplexa com a "invasão" de temas morais e religiosos no debate eleitoral, Dilma está em "peregrinação" pelo voto católico e evangélico desde o fim de 2008, lembra o sociólogo Ricardo Mariano, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Em novembro daquele ano, com um véu cobrindo a cabeça - como manda o protocolo -, Dilma participou de audiência com o papa Bento XVI no Vaticano. Nela, Lula selou acordo com a Santa Sé, comprometendo-se com uma lista de reivindicações da Igreja, incluindo a orientação católica no ensino religioso nas escolas públicas, o que originou uma ação do Ministério Público questionando sua legalidade.

Mediante a bênção do papa, Lula lançou Dilma para a presidência, em entrevista a cinco jornalistas italianos. De lá para cá, Dilma visitou inúmeras lideranças religiosas - assim como Serra e Marina. A deferência de Lula parece resultar da experiência.

Enquanto não buscou o voto evangélico, Lula foi derrotado nas disputas presidenciais de 1989, 1994 e 1998, quando esse voto foi maciçamente despejado em Fernando Collor e, duas vezes, em Fernando Henrique Cardoso, respectivamente.

No primeiro turno de 2002, os evangélicos votaram no "irmão" Anthony Garotinho.
Foi a partir daquele segundo turno que Lula passou a compartilhar grande parte desses votos, graças a uma aliança com a Igreja Universal do Reino de Deus, lembra Cesar Romero Jacob, autor de A Geografia do Voto nas Eleições Presidenciais do Brasil: 1989-2006. "Lula se tornou pragmático, foi para o centro e atraiu os evangélicos."

Alianças.

Baseado em suas pesquisas, Jacob traça um axioma segundo o qual para se vencer eleições presidenciais no Brasil é preciso aliar-se às oligarquias locais no interior do País e aos políticos populistas e líderes pentecostais na periferia pobre das regiões metropolitanas; além de elaborar um discurso para a classe média urbana.

Foi o que Collor, FHC e Lula fizeram antes de se elegerem presidentes, diz o analista.
A questão religiosa afeta Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva de formas muito distintas, observam os especialistas. Serra, de uma certa maneira, foi vacinado contra a propaganda viral dos grupos anti-aborto em 2002, quando disputou a presidência pela primeira vez.

Naquela campanha, ele percebeu que seria prejudicado pela informação de que tinha, como ministro da Saúde (1998-2002), implantado no Sistema Único de Saúde (SUS) procedimentos de aborto previstos na lei - em casos de estupro e risco de vida para a gestante. Além disso, o SUS começou a distribuir a pílula do dia seguinte, considerada abortiva pelos conservadores. Serra passou então a declarar-se contrário à descriminalização do aborto, que segundo ele levaria a uma "carnificina".

Convicções.

Marina, como integrante da Assembleia de Deus, tem uma relação bem diferente com o tema. Os religiosos conservadores confiam nas suas convicções morais. Seu problema é o inverso, observa Ricardo Mariano: como pertencente à minoria evangélica (de um quarto a um quinto da população) em meio a uma maioria católica (dois terços dos brasileiros), ela tomou o cuidado de não ser vista como candidata dos evangélicos - ao mesmo tempo em que visitou seus templos tão ou mais frequentemente do que Dilma e Serra. Marina lava as mãos e propõe que um plebiscito resolva o assunto do aborto.

A situação de Dilma é mais delicada. O YouTube, site de exibição de vídeos na internet, apresenta declarações suas em termos considerados inaceitáveis por muitos conservadores. Em 2007, ela diz, em entrevista à revista IstoÉ: "Sou a favor de uma legislação que obrigue a ter tratamento para as pessoas para não correr risco de vida, igual aos países desenvolvidos do mundo inteiro, para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto."

À pergunta sobre se é um ato de livre escolha, ela respondeu: "Acho que tem de ser tratado como uma questão de saúde pública." 

Agora leiam isto;

Deputados Federais Evangélicos eleitos em 2010

http://igrejinha.org.br/blog/?p=5708

Não sei vcs, mas é bom começar a preparar um estoque de pomadas para queimaduras. 

Paz e Luz!




sábado, 2 de outubro de 2010

Ganhei Coragem - por Rubem Alves

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“.

Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos. 

E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre...“ Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras. As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. 

Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a sociedade imoral observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. 

Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. 

Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo... Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. 

Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia - são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o Volkswagen. Volk, em alemão, quer dizer “povo“...

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol...). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção...“ Isso é tarefa para os artistas e educadores: 

O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.

(Folha de S. Paulo, 05/05/2002)

Aproveitando a sugestão da EAD Mata Verde