quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Minha despedida.

Como todos já devem ter percebido, o Mano Edenilson dominou inteiramente a arte de manejar um Blog, de modo que minha presença como colaborador se tornou para lá de dispensável.

E eu tomei uma decisão: não discuto mais sobre Umbanda!... Não aguento mais as mesmas discussões estéreis sobre se isso ou aquilo é válido, se o "certo" é ser esotérico ou africanista, e, principalmente, o sacrifício de animais como fonte de energia magística.

Já cansei de apresentar estudos científicos que provam que as plantas são seres não só conscientes (lá da forma delas...), como têm sentimentos (lá do jeito delas...), que são capazes de transmitir emoções de dor, medo, raiva, mágoa, etc, não só por impulsos elétricos de raiz a raiz, como também por substâncias químicas que liberam no ar (ou vocês pensavam que o bom odor das rosas foi feito só para agradar as namoradas?...)

Cansei de argumentar que a oferenda simbólica de alimentos é um "ato mágico" e que, se formos levar tudo ao pé da letra, "desperdiçar comida" (seja ela de origem animal, vegetal ou mineral), quando há tanta fome e miséria por esse mundo, é algo que "ofende a Deus". O mero ato de acender uma vela está contribuindo para "aumentar o rastro de carbono na atmosfera" e a fumaça do pito do Preto Velho está transformando seus consulentes nas novas "vítimas da moda": os "fumantes passivos"...

Cansei da tecla desgastada de que "menga" atrai "vibrações baixas"... São quantas mesmo as notas musicais?... Sete, não é?... Que curiosa coincidência com as "Linhas de Umbanda"!... Só que as notas têm semitons e se repetem em infinitas "oitavas". De modo que uma nota - dó, por exemplo - pode fazer parte de uma música inspiradoramente harmoniosa, como pode fazer parte da vibração de um terremoto destruidor.

Enfim, cansei de "gente políticamente correta" e "bem pensante" que se acha com capacidade de deitar falação sobre o que não entende e julga, de acordo com suas preferências pessoais, isto ou aquilo "certo" ou "errado".

Quem não aguenta com mandinga, não carregue patuá!

Ou bem Deus está em toda a parte (inclusive nos Infernos) ou não é onipresente. E ou Jesus disse: "Em todo lugar em que dois de vós vos reunirdes em meu nome, aí estarei eu", ou todo o resto que ele falou é maluquice e não deve ser levado em conta...

Cansei de remar contra a maré e ter que, a toda hora, argumentar com alguém que me vem com um "o Caboclo das Sete Encruzilhadas fazia assim ou assado..." Caramba! Me mostrem uma só ocasião em que o Caboclo falou "Meu jeito é o certo... os outros são errados".

Vou continuar a acompanhar o trabalho do Mano Deni e, uma vez a cada Lua Azul, vou deixar uma participação nos comentários. Mas vou seguir a ordem de "meu" Caboclo da Pedra Negra: pare de discutir! Nem todos os que se dizem Umbandistas são mesmo gente bem intencionada.

O meu grande amigo Deni pode dizer o quanto nós já discutimos palavras e "interpretações", somente para descobrir que pensávamos do mesmo modo, usando palavras diferentes. Só que só se pode discutir com quem está disposto a ouvir e procurar entender a posição do interlocutor. E a nossa amizade nasceu exatamente de calorosos "bate-boca", onde a preocupação mútua era encontrar os pontos de concordância.

Eu não tenho nada a dizer a quem não quer ouvir e não está disposto a ceder um nanômetro em suas "certezas".

Porque a única certeza que eu tenho é que eu faço uma vaga noção da extensão de minha ignorância...

Então, melhor faço em me recolher a minha insignificância, já que, ao menos, eu concedo que posso estar errado - e não aguento mais discutir com quem nada concede e, do alto de sua "superioridade" (há! há! há!...) trata com desprezo ou, no máximo, aquela comiseração hipócrita de "sábio falando com burro".

Não foi à toa que São Francisco foi fazer seus sermões aos corvos e lobos... As pessoas, simplesmente, não querem ouvir o que não lhes agrada.

Dixit!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Meus cinco minutos de ateu!

Olá! São apenas cinco minutos ok? rsrsrsrsrsrsrs. Da mesma maneira que creio e sinto Deus em minha vida, há quem não creia ou nem sinta e mesmo assim continuam filhos de Deus, rsrsrsrsrsrs.

Se bem que será que há mesmo relação entre Deus e religião?

George Carlin - Religion is bulshit - Religião é besteira
http://br.youtube.com/watch?v=JGwAEhkmsSU&feature=related


George Carlin - Os 10 Mandamentos
http://br.youtube.com/watch?v=CF1-IS0yDCs&feature=related

O melhor participante de todos os tempos!

http://br.youtube.com/watch?v=6XXBBIWnyaM&feature=related

O Incrível Jesus

http://br.youtube.com/watch?v=oWxTkLiJ_bU&feature=related

"Estou confuso..."

http://br.youtube.com/watch?v=0WXYeM5MZso&feature=related


Paz e Luz!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Etiene Sales, um umbandista que mereçe ser lido!

Olá! Há um bom tempo e sempre que tenho oportunidade, ao saber de textos escritos por Etiene Sales, a ansiedade e alegria pelos mesmos são grandes e invariavelmente a recompensa é a mesma, uma enorme satisfação intelectual e fraternal.

Enquanto temos e sabemos que há quem se esconda em palavras calculadas, prá fazer média e ganhar ovelhinhas obedientes, existe também UMBANDISTA de qualidade e coragem como Etiene Sales.

Caso vc queira saber mais, ele lançou há pouco tempo, salvo engano, um livro chamado Umbanda de Preto Velho – A tradição popular de uma religião - Editora All Print.

Se houver interesse em conhecer mais textos dele veja em:
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=ghostm

A Tristeza do Centenário da Umbanda em face de sua desunião e do
preconceito entre os Umbandistas.


A importância dos 100 anos da Umbanda vai muito além de Zélio, isso dentro do meu entendimento.

Fundador ou Institucionalizador?

Eu acredito em Zélio como um institucionalizador de algo que já existia em termos práticos, ou seja, o trabalho de guias como pretos-velhos, caboclos etc.

Zélio deu um nome (que já era conhecido dos Bantos e que podemos encontrar em um dos livros do Artur Ramos como sendo o sacerdote de uma Macumba aqui no Rio de Janeiro) e uma formatação, intitucionalizando uma forma de culto, chamando-a de Umbanda ou Alabama ou Aumbandam. Até hoje não se tem certeza do nome original, mas que acabou ficando como Umbanda.

O que era praticado antes do Caboclo das Sete Encruzilhadas, pelos guias nos Candomblés de Caboclos, nas Macumbas Cariocas (Omolokô), nas Juremas, nos Catimbós etc, pode ser considerado como Umbanda?

Se considerarmos o trabalho desses guias, a sua atuação e a sua essência, podemos dizer que sim. Porém, se considerarmos apenas a forma pela qual foi definida a institucionalização do culto de Umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, na constituição de suas casas, não podemos considerar como Umbanda qualquer outra forma (lembrando que Umbanda então, seriam apenas as casas que seguem na íntegra, sem misturas, o culto introduzido pelo Caboclos das Sete Encruzilhadas; qulaquer coisa retirada ou acrescida a esse culto, já não pode ser considerada como Umbanda, vendo o Caboclo das Sete Encruzilhadas como
seu Fundador e idealizador). Se esse contexto for dito como a verdadeira Umbanda, como a correta (a que foi institucionalizada por Zélio), ela inviabiliza quaisquer outras formas e práticas, assim como doutrinas, ritos ou fundamentos que não sejam aqueles formatados por Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Existe Umbanda sem os guias?

Se considerarmos o trabalho precedente ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, como já sendo Umbanda, na atuação de vários guias, ela simplesmente trilhou vários caminhos (a de Zélio era mais uma, e com a finalidade de institucionalizar a religião que já era praticada de forma
desordenada), assim como o próprio Cristianismo formou várias crenças, várias religiões Cristãs pelo mundo.

Hoje, como acontecia nos anos 40 do século XX (na época do Primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda - até o nome Espiritismo soa estranho, pois mostra uma dependência de identidade da Umbanda dentro do Espiritismo, e não dentro dela mesma como uma religião autônoma ou como um conjunto religioso por si só), existem diversas formas de Umbanda (ritos, práticas, formas, doutrinas etc) diferentes. Muitas que nem
sabem quem foi Zélio ou o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Que foram formadas a partir das Macumbas, dos Candomblés, das Juremas, dos Catimbós etc. As quais os seus guias fundadores nunca, se quer, souberam ou citaram Zélio e, muito menos, o Caboclo das Sete
Encruzilhadas como sendo fundador ou institucionalizador da Umbanda.

Muitas pessoas hoje em dia souberam de Zelio e, por conseguinte, seus terreiros, suas casas e até suas entidades, por meio de escritores como Rubens Saraceni, ou por meio das listas e sites na Internet.

Eu também não encontrei nenhuma referência ao termo Umbanda como constitutiva de uma forma de religião, nesses meus 22 anos de estudos, antes de 1908. Porém, encontrei referencias ao trabalho de entidades como pretos-velhos, caboclos, boiadeiros e até de exus, antes de Zélio. Então temos que pensar: se retirarmos essas entidades trabalhadoras
teríamos Umbanda? Ou só temos Umbanda porque temos o trabalho estruturado dessas entidades; seja separadamente ou em grupo?

Então para mim, como para outros pesquisadores, como Renato Ortiz, José Guilherme Cantor Magnani, Diana Brown, Yvonne Maggie e tantos outros, a representatividade daquilo que se chama Umbanda, não é dada pela  anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas por algo que já existia antes dele, e que por ele foi institucionalizada, dado um nome e
colocando como sendo uma religião de negros e indios, de excluídos, digamos assim. Formas e essencias que se juntaram e foram se aglutinando ao longo do tempo, formando o que conhecemos hoje como Umbanda ou como um conjunto religioso chamado Umbanda.

Acredito eu que o mais importante hoje não é saber quem têm ou quem não têm a verdadeira Umbanda (ou se apenas aqueles que seguem o Caboclo das Sete Encruzilhadas são Umbanda - Mas tem que ser seguidor na íntegra e sem misturas ou adaptações, porque se isso ocorre já descaracterizou o que foi por ele colocado), mas sim todos nós, independente da forma, prática, doutrina e fundamentos (se veio ou não de Zélio, ou se nunca escutou quem ele foi), todos nós termos respeito e nos enxergamos como
Umbandistas.

No passado e hoje em dia, continuamos errando e batendo na mesma tecla dogmática (e dizem que Umbanda não tem dogmas) da verdadeira Umbanda. Que a verdadeira Umbanda é assim, que ela é assada; que a verdadeira Umbanda é a de Zélio ou de A, ou de B, ou C ... E, pela lógica, se só existe uma proposição correta, as outras, por conseqüência, estarão
erradas. Assim, se a Umbanda preconizada por Zélio é a verdadeira e a que tem que ser seguida, as outras estão erradas: não são Umbanda.

Muita gente ainda vê a Umbanda por essa lógica simplista e, se os demais não seguem a Umbanda preconizada por Zélio, a Umbanda Branca e verdadeira, então não estão fazendo Umbanda. Mas quem hoje em dia (como nos idos de 41) faz essa Umbanda? Nem nas casas institucionalizadas pelo caboclo das sete encruzilhadas se faz a mesma forma de Umbanda, ou fazem? (pode atabaque, tem o título ou a função de Ogã, pode beber, pode fumar, se trabalha com exu, boiadeiro, marinheiro, baiano, corta-se porco, não se pode cortar ...).

Eu acredito que temos que mudar o foco das verdades, da exclusão (exclusão essa que foi a espinha dorsal do mito da anunciação do caboclo das sete encruzilhadas, na federação Espírita de Niterói) das Umbandas. Temos que partir para a inclusão e não para exclusão; nos vendo como um todo, um conjunto diverso e plural que é a Religião de Umbanda em todas as suas vertentes.

Enquanto os Umbandistas não se aceitarem como tais; enquanto houver discriminação intra-religiosa e super-valorização de algumas doutrinas como sendo Umbanda e de outras como não sendo Umbanda, nunca iremos nos unir de fato. Esse foi nosso erro do passado e continua sendo nosso erro de hoje.

A Umbanda, há muito tempo, já se tornou Ecumênica (um conjunto religioso diverso e plural), mas parece que a soberba e o dogmatismo de ser ou estar acima do outro, de ter a verdadeira verdade ou de se deixar acreditar que se tem a verdadeira verdade, está destruindo uma esperança de união.

Na época em que Zélio incorporou o caboclo e ele institucionalizou uma forma de culto, aquilo alí era contextual e necessário naquela época, naquele momento histórico. Hoje existem várias formas de doutrina dentro da Umbanda e é essa a nossa realidade de hoje.

Devemos lembrar também, que na época inicial do caboclo das sete encruzilhadas, ter a doutrina espírita como referência era a doutrina que se espelhava a Umbanda por ele preconizada. Só que as coisas mudaram e a religião se transformou, se modificou, evoluiu em diferentes partes, se fundindo e assumindo outras formas, e manifestou outras doutrinas (vide os diversos livros tidos como "doutrinas Umbandistas" que, por vezes, são discriminatórios entre sí ou cada um fala a sua própria verdade como sendo o todo da Umbanda; há casos até, em que são obras psicografadas, manifestando uma legitimidade do Astral Superior como uma codificação geral, para toda a religião).

Se não entendermos as modificações acontecidas na Umbanda ao longo desses 100 anos (essas transformações, essa evolução), nunca conseguiremos nos ver como um todo, nos respeitar como um todo, nos aceitar como parte desse todo que mudou e evoluiu: plural e diversificado.

Se o próprio Cristianismo se modificou, se transformou, se ramificou em diversas crenças, em várias religiões Cristãs diferentes, porque seria diferente com a Umbanda?

A Umbanda é uma religião ecumênica, diversa e plural. E só iremos alcançar uma união de fato e de direito quando todos nós nos enxergarmos como membros dessa diversidade e dessa pluralidade; num ecumenismo sem fronteiras para a espiritualidade.

Um contexto religioso onde não há Papas, Potestades com a única e verdadeira verdade, onde não há uma única doutrina codificada, mas diversas doutrinas irmãs e correlatas dentro de princípios básicos de caridade, amor ao próximo, paz, evolução e fraternidade.

É assim que vejo a Umbanda em seu todo e espero que um dia possamos nos unir, nos despindo do fantasma do dogmatismo, da exclusão e do preconceito. Que tenhamos mais 100 anos de vida, mas com uma união ecumênica e fraterna, real e transparente.

Sem preconceitos de que isso não é Umbanda, você não pode ser Umbanda, a Umbanda só pode ser isso ou aquilo. Afinal, a Umbanda não tem donos, muito menos, um terreiro, centro ou tenda que possa dizer, com plenitude e firmeza, que pratica a verdadeira Umbanda em toda a sua abrangência. 


Até porque, quem faz ou o que é a verdadeira Umbanda?

Que possamos ter 100 anos de respeito entre nós, buscando uma União e sem preconceitos, mágoas, ofensas, humilhações ... 100 anos de valorização de todos os Umbandistas, respeitando um ao outro como irmãos de Umbanda (independente das formas e doutrinas), em uma cultura de alteridade e fraternidade.

Um abraço a todos,

Etiene Sales - GhostMaster
Administrador, Sacerdote Umbandista, Pós-graduado em Ciências da Religião


Á todos que enxergam e praticam o discernimento e a simplicidade como umbandistas,


Paz e Luz!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A VC JOÃO CARLOS!

Puxa que bom poder escrever sobre vc João Carlos. Eu que sempre busquei estar com gente boa como amigo, na maioria das vezes quebrei a cara ( viu o que é que dá acreditar mais nos outros do que em si mesmo?) fui encontrar e de modo virtual um grande irmão (nada de 1984 por favor hein?). Mais do que um Irmão de Fé, um Irmão de Alma mesmo.

Tantas pessoas passam por nossas vidas e poucas muito poucas mesmo deixam suas indeleveis impressões em nossos corações, a grande maioria deixa cicatrizes que demoram prá curar.

Por isso mesmo, tenho sido orientado a dar valor e atenção aos verdadeiros AMIGOS, aos que são Amigos em si e de si mesmos.

A vc que admiro, respeito e guardo do lado esquerdo fo peito. A vc que com sua maravilhosa rabugice (que dupla formaríamos na praça, nenhum outro veínho sobreviveria, rsrsrsrsrsrs).

A vc Amigo querido, de todo meu coração NOSSOS (MEU E DONA ONÇA WICCA) abraço e.....


PARABÉNS! NÃO ESQUEÇA DE ENCOMENDAR MUITA GEMADA COM AMENDOIM E CARACU (OSTRAS DEVEM SER MUITO CARAS MESMO AÍ NO RJ).

EM ÚLTIMO CASO, VAI DE AZULZINHO (não, não é viagra é prozac mesmo)!

rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs


SORRIA E SIGA O SOL!

ELE BRILHA MESMO PRÁ NÓIS RANZINZAS, LÍNGUAS-PRETAS!


Paz e Luz!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O ALABÊ DE JERUSALÉM - A ÓPERA

Olá! É mexe aqui, mexe acolá e encontramos coisas na internet que maravilham nossos olhos, ouvidos e corações.

Absolutamente maravilhoso esta Ópera, que fala sobre um africano que conheceu Jesus e volta 2.000 anos depois para contar sua história. Hoje, este espírito é identificado como O Alabê de Jerusalém. A autoria desta Ópera é de Altay Veloso.

Visite o site e delicie-se com os textos, fotos e vídeos;



http://blog.oalabeloja.com/



http://www.youtube.com/watch?v=v4jFjgX-UYE



http://www.oalabeloja.com/loja/snoticias.asp




Um título de matéria que muito me emocionou: Amor e Ética ultrapassam religião.

Absolutamente perfeito! Um dia, um dia viveremos estas verdades em toda plenitude.


Paz e Luz!

sábado, 4 de outubro de 2008

Meus respeitos a quem os merece 02

Vixe! Hoje eu tô inspirado (e tbm sem nada prá fazer,rsrsrsrsrs).

Este vídeo eu já conhecia há muito e acredito que vc também. É curtinho, mas para àqueles que como Pai Agenor Miranda Rocha, possuidores de sabedoria e profundidade, é proseando que vai-se ensinando e para quem tem olhos, ouvidos e humildade, vai se aprendendo;

Pai Agenor Miranda Rocha
http://www.youtube.com/watch?v=jolSVI5FHVo



Meus agradecimentos hoje e sempre,

Paz e Luz!

Ô DEIXA A UMBANDA MELHORAR!

Olá! Que a Paz esteja contigo que me lê! Se já não falei antes, faço agora, comprei assim que foi lançado o cd TODO MUNDO QUER UMBANDA, Pai Pedro Miranda, Ayom Records. É que alegria pude sentir a cada verso, a cada ponto cantado. Como minha consciência se expandiu em esclarecimentos pelas visões que pude ter nas paisagens às quais fui levado neste cd, que aliás é duplo.

Pude relembrar ou melhor foi aberto em minha mente o portal para retornar as lembranças de minha infância no terreiro de minha avó, Dona Angelina, Mãe Mina, Tenda de Umbanda do Caboclo Rompe Mato, meu Pai Espiritual e ainda hoje Patrono Espiritual de nossa Tenda.

Como é gratificante ouvir pontos de Umbanda em sua originalidade, muito ao contrário do show business que se transformou o enxame de cantores e "músicas" que é oferecido ao Povo de Santo da Umbanda, sedento de exaltação, mas arredio quando o assunto é estudar, questionar e olhar para o passado enquanto tradição.

Deixo para leitura esta matéria encontrada aqui: http://www.acervoftu.blogspot.com/

Pai Pedro Miranda, meu Saravá Fraterno de umbandista e filho de fé!

Parabéns Ayom Records por este resgate.

Monday, September 29, 2008

Pai Pedro Miranda na FTU!!! SENSACIONAL!!


Pai Pedro Miranda nas dependências da Ayom Records:
disposição, bom humor e espiritualidade

Texto: William de Ayrá (Obashanan)

Fotos: Antônio Luz (Aratish) e Yatacyara (Vivian Lerner)

Pai Pedro desce do carro cantando quando chega do aeroporto, trazido por nosso irmão Ivanildo o Aratiara, um dos alabês da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino. Nada de bagagem, apenas sua bengala e um saquinho com seus documentos. No pescoço uma guia de Exu cruzada com Omulu, seu orixá, guia essa que ganhou do Exu Sr. Capa Preta, quando veio à FTU pela primeira vez. "Eu nunca a tiro do pescoço." - nos disse quando da sessão de gravação na Cabana de Pai Omulu no Rio. "A coloco sempre ao lado da minha cama quando vou dormir. É minha companheira!"
Mesmo para quem já o conhece é surpreendente sua disposição e no que pese sua idade, parece que a vivência por quase oito décadas convivendo com milhares de terreiros por esse Brasil afora em nada afetaram sua alegria e sua fé nas coisas da "Banda".
"Cara, ele cantou o caminho inteiro!", diz Aratiara, me olhando com o mesmo espanto que tive quando conheci Pai Pedro Miranda nas dependências da FTU. Um misto de alegria e respeito, pois aqueles pontos trazem importantíssimas informações do passado do Movimento Umbandista, que afinal de contas estavam se perdendo e assim como eu, Aratiara é um amante dos cânticos e invocações das religiões brasileiras. "É que ele é um mestre que ensina cantando..." respondi, correndo para abrir a porta da sede da Ayom Records para Pai Pedro ir descansar. Ao entrar, seu vozeirão já emendou um ponto bem antigo de saudação: "Quando nessa casa entrei, eu louvei a cumeeira, eu louvei dono da casa, eu louvei família inteira..." Eu sabia que não haviam intenções rituais em seu canto, mas como a voz tem axé, vai saber... sua louvação estava mais que bem vinda.


Emocionados todos aplaudiam Pai Pedro de pé ao final de cada ponto

Sentou-se à mesa e pediu um copo d'água. Só. Homem simples, Pai Pedro não se interessa por grandes festejos e honrarias. Mas gosta de uma prosa e iniciamos uma conversa bem longa sobre a Umbanda do passado, seus personagens e suas curiosidades, enquanto preparávamos o almoço. Toca o celular, é um dos seus filhos de santo, o Renato, que estava a caminho, ele e mais três vinham do Rio de Janeiro de carro. Parecia preocupado. Digo-lhe que Pai Pedro está bem e corro para atender agora a campainha, consciente de que hoje em dia somos escravos de ruídos eletrônicos. Era Hilário Bispo, o Babal'Arena, que vinha entrevistar Pai Pedro para seu blogue. Já de cara se afinizaram, dois batutas bons de papo, umas três horas de conversa gravada (que em breve disponibilizaremos aqui no Ayom) que não foi interrompida nem com a carne de panela com arroz e feijão.
Entre uma lembrança e outra, Pai Pedro cantava sempre um ponto que havia ouvido num terreiro aqui, noutro ali e com sua memória excepcional lembrava-se dos fatos com uma riqueza de detalhes impressionante, desde o nome dos envolvidos até o endereço dos terreiros em questão. Contou-nos histórias incríveis dos tempos de Pai Zélio de Morais, da fundação da Tenda São Jorge, e de outros personagens importantíssimos para o povo do santo, tais como Pai Tancredo da Silva Pinto, Pai Joãozinho da Gomeia, Pai Matta e Silva e muitos outros eventos tais como a incrível manifestação do Exu Sete da Lira, um marco na história da religiosidade brasileira, que em breve também contaremos aqui. E sempre, claro, lembrando pontos cantados, de raiz e de louvação.



Os alabês da FTU e da Cabana de Mestre Omulu, juntos,
acompanhando Pai Pedro Miranda
Depois de quase uma centena de cafezinhos e muitas cachimbadas, em meio a risadas e boas lembranças, nos dirigimos para a FTU, onde quase trezentas pessoas aguardavam ansiosamente a sua presença. Ao ser anunciado, Pai Pedro fêz uma quase-prece de abertura, louvando a todos os Orixás, guias e protetores de nossa Umbanda e pedindo permissão para que ele pudesse cantar suas invocações e louvações naquele espaço sagrado.

Trezentas pessoas se aglomeraram para ver Pai Pedro Miranda
na Faculdade de Teologia Umbandista

Então, surpresa, o que se viu foi a presença de um artista extremamente profissional, com perfeita consciência de espaço e de um carisma com o público só visto em grandes cantores. Se a FTU pretende aproximar os saberes acadêmicos dos tradicionais, a apresentação de Pai Pedro foi um grande exemplo da unidade que se pode conseguir neste quesito, quando o assunto é música.
Uma curiosidade, que exemplifica a impressionante memória de Pai Pedro Miranda é o fato de que em seu disco, duplo, podemos ouvir mais de quarenta cantigas. Pai Pedro cantou apenas três delas em sua apresentação, que durou duas horas. Todas os outros pontos apresentadas foram vindo na hora, "inéditos", jamais gravados, cantigas antiqüíssimas, já completamente esquecidas e que foram relembrados facilmente por ele. Começou com pontos incríveis de Preto Velho. Num deles, repentinamente se empolgou, jogou a bengala para o cambone e saiu para o meio da galera, puxando uma roda onde todos dançaram extasiados.
Pai Pedro fez uma emocionante louvação aos Caboclos

Depois com uma saudação maravilhosa aos caboclos, mandou mais meia hora de pontos incríveis de nossos ancestrais da raça vermelha. A platéia era toda ouvidos. Muitos dos pontos eram clássicos da invocação umbandista e a maioria desconhecidos. Uma pausa de 15 minutos, Pai Pedro foi abraçado por Pai Rivas, que sempre aberto a todas as formas de Umbanda, ratificou o convite para que Pai Pedro comparecesse no I Congresso de Umbanda do Século XXI a ser realizado em novembro. Pai Pedro descansou um pouco e respondeu a perguntas de vários irmãos umbandistas, curiosos que estavam por conhecerem detalhes e curiosidades da Umbanda dos primeiros anos.
Pai Pedro encerrou o evento com pontos de Yemanjá e Xangô
Pai Pedro voltou cantando pontos de Yemanjá e de Xangô, regendo os alabês como faz um maestro com sua orquestra e numa emocionante despedida, saudou a corimba e os alabês e a todos os presentes. Finalizado o evento, o levamos para descansar, não sem antes ele cantar para alguns irmãos uns pontinhos de Omulu e de Boiadeiros. No dia seguinte, seguimos ao aeroporto, Pai Pedro como sempre alegre e disposto, brincando com os funcionários da empresa aérea. Ao nos despedirmos, ouvimos Pai Pedro de longe, cantando baixinho ao entrar no embarque: "...deixa a Umbanda melhorar... deixa a Umbanda melhorar..." Sim, senhores, que a Umbanda possa sempre melhorar, produzindo homens que se dedicam tanto a ela como Pai Pedro, este exemplo de ser humano e Umbandista, doando-se de alma, mais do que de corpo - como deve ser com quem chega a sua idade com vontade de trabalhar pela espiritualidade - atento à idéia sempre viva de que Umbanda é trabalho, fé, amor e caridade, mas acima de tudo Umbanda é alegria e felicidade.

Ayan Irê Ô!