sábado, 16 de junho de 2012

O (falso) pai de santo, a mídia e o CONAR

Por: Rosiane Rodrigues - 13/6/2012http://www.afropress.com/colunistasLer.asp?id=986

A prisão de Edmar Santos de Araújo – o pai Bruno – por extorsão e formação de quadrilha deveria servir para que os sacerdotes de matrizes africanas tomassem uma postura junto aos muitos classificados de jornais que publicam anúncios cada vez mais surpreendentes sobre os ‘trabalhos espirituais’ que fazem e desfazem qualquer coisa.


Edmar (ou pai Bruno de Pombagira) foi preso ao extorquir uma cliente. Ele prometia trazer o amor perdido de volta, em – Pasmem! - cinco horas. E cobrava caro! O fato, veiculado por quase todos os veículos de comunicação do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (13/06), propõe que a mídia e os religiosos repensem sobre as ignorâncias e desconhecimentos que grassam sobre as muitas práticas religiosas de origem africana que permeiam o imaginário da população. Para muitos é apenas menos um marmoteiro em ação.


Para quem não sabe o que significa marmoteiro, eu explico: na linguagem dos adeptos e iniciados dos cultos dos orixás, voduns e inkices (e também dos umbandistas) é aquele que se diz sacerdote, se faz passar por sacerdote, mas não é nem nunca foi um sacerdote. 


É um espertalhão, que se aproveita da ignorância da grande maioria das pessoas sobre os princípios que regem a vida dos religiosos de matrizes afro. O objetivo? Cobrar por coisas que nem Deus se prontificaria a fazer. Em resumo, é um estelionatário das práticas ancestrais dos espíritos africanos.


Há muito que os religiosos tradicionais da Umbanda e do Candomblé denunciam esses falsos sacerdotes. Nada incomoda mais uma iyalorisá, um ogan, uma ekedji – ou aqueles que conhecem um pouco mais de perto os ritos e práticas de matrizes africanas – que esses marginais do astral. 
E não adianta dizer que estou exagerando: Marginais, sim! Uma corja que não apenas lesa os mais desavisados (em busca da resolução de seus problemas), mas que humilha os afro-religiosos com anúncios ridículos que prometem até teletransportar os amores perdidos. Pensa bem, gente! 
Ninguém com o trânsito caótico do Rio de Janeiro ou São Paulo chega a lugar nenhum em cinco horas. Só de helicóptero ou teletransporte (que ainda precisa ser inventado!). Acreditar que uma coisa dessas é possível nem a falta de conhecimento básico sobre os princípios da Física ou do trânsito, explica.


Mas, por que as pessoas acreditam nisso? Será que os sacerdotes da Umbanda e do Candomblé são tão poderosos e macabros que seriam capazes de realizações dessa natureza? Ou seriam eles (os sacerdotes) pessoas dotadas de um conhecimento transcendental tão absurdo que beiraria o cômico? Religião e/ou prática religiosa tem que servir para alguma coisa? Tem que dar resultado? Tem que resolver o problema de uma pessoa que foi desprezada por um amor perdido? Tá certo que o sofrimento deixa muita gente com miopia ou falta de discernimento. E que as práticas rituais das religiões de matrizes africanas são envoltas de 'mistérios' e 'segredos'. 


Mas, tem alguma coisa por detrás disso que precisamos refletir.


Não é apenas o desconhecimento da população sobre os princípios religiosos de umbandistas e candomblecistas que faz com que estelionatários abusem de religiões já tão historicamente vilipendiadas. Os veículos de comunicação precisam decidir se propaganda religiosa é igual a publicidade religiosa e/ou venda de serviços. 


Propaganda – como o próprio termo explicita – é propagandear ideias ou conceitos sobre determinado assunto ou produto. Ela pode ser feita para construir opiniões sobre partidos políticos, religiões, times de futebol... Publicidade é a venda de uma mercadoria ou serviço. E toda publicidade é passível de regulamentação. 


O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) existe para fiscalizar se um anúncio é idôneo ou não. Se não for, tanto a empresa que anunciou quanto o veículo que publicou são passíveis de pesadas multas. Ora, se um anunciante contrata um espaço de publicidade para vender um serviço religioso ele não está fazendo propaganda (construindo ideias). Ele está anunciando o seu produto para venda. E isso deveria fazer diferença.


Outra coisa que devemos pensar é sobre como controlar esse tipo de anúncio. Se os veículos de comunicação não têm como saber quem é ou não um sacerdote afro-religioso, eles deveriam perguntar a quem de fato deve ter este tipo de conhecimento. 


Se não existe uma instituição que represente todos os religiosos de matrizes africanas – como a diocese católica, por exemplo – que os veículos, então, elejam um sacerdote reconhecido pela sociedade para que ele possa atestar que o possível anunciante dos classificados não é apenas mais um estelionatário. Mudança de atitude? Sim. Mas só porque a mídia – e as nossas relações com o que é divulgado nos veículos de comunicação, em tempos globalizantes – mudou. 


O que é informado - nos jornais, rádios, TVs e revistas - é entendido como verdade pelos leitores/ouvintes/espectadores. Mesmo que a informação esteja no caderno de classificados. Isso porque quem não é jornalista ou publicitário não tem a obrigação de saber o que é assunto noticioso ou o que é anúncio. Os Informes Publicitários são caríssimos porque fazem publicidade com ares de notícia... Este é um dos nós contemporâneos que os veículos de comunicação respeitáveis deveriam tentar desatar.


Se por um lado, a Umbanda e o Candomblé são expressões religiosas legítimas e autênticas dos brasileiros, por outro, a grande maioria da população desconhece o que efetivamente esses religiosos fazem. 


O problema é que desconstruir o senso comum – do estereótipo, do folclore, da discriminação – que rondam essas religiões deveria ser também assunto dos veículos de comunicação que efetivamente se comprometem com a liberdade de expressão - que não é sinônimo de irresponsabilidade com os leitores, suas fontes e anunciantes.

* destaques meus.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

DIGA NÃO AO FALSOS PAIS E MÃES DE SANTO DE POSTE E ANÚNCIOS!


Relativo ao noticiado sobre um canalha preso que se intitulava Pai de Santo, entre tantos outros que ainda estão por aí, deixo algumas considerações na esperança que o Povo de Santo erga a voz, o semblante e com fé e coragem deixe claro o que é e o que não é verdadeiro em nossa vivência e convicções.


Umbanda DE FATO E DIREITO não comercializa atendimento fraterno e caritativo, não faz amarração, não faz trabalhos espirituais de vingança, não traz pessoa amada, nem desfaz relacionamentos.


Umbanda busca a verdade, a união, a harmonia e a manutenção das famílias.


Umbanda DE FATO E DIREITO não ostenta títulos, medalhas ou comendas, não faz ameaças ou coação, não chantageia ou constrange, não humilha ou impõe medo para se fazer respeitar.


Umbanda promove a espiritualidade sadia, a auto-estima, a dignidade, o respeito e a evolução moral.


Um verdadeiro templo de Umbanda DE FATO E DIREITO não possui tabela de preços para atendimentos, seja com o dirigente, seja com as entidades.


Umbanda é templo de Luz, não balcão de negócios.


Umbanda não pratica sacrifício de animais como barganha com espíritos para obtenção de resultados, conforme o desejo de quem pede.


Nem a Umbanda DE FATO E DIREITO se presta a esse serviço e nem o Candomblé DE FATO E DIREITO. Prestam-se a ele os marmotas e os exploradores da fé alheia, apenas.


Umbanda é em seu sentido mais simples um copo dágua, uma vela acesa e corações plenos de fé iluminada.


Umbanda respeita a opção religiosa de cada pessoa e por isso não pratica conversão forçada ou exploração da fragilidade humana.


Umbanda DE FATO E DIREITO não ostenta luxo, nem exige recursos materiais exorbitantes para suas práticas.


Se vc encontrar um anúncio ou lugar propondo soluções miraculosas e fantásticas que atendam exatamente seus desejos mesquinhos e tacanhos, ARQUE COM OS RESULTADOS, mas não venha depois dizer que foi vítima de um templo Umbandista. A cegueira produzida pela satisfação dos próprios desejos, em desrespeito às Leis da Caridade e do Livre Arbítrio, é o que fará sintonizar com outros tão cegos e infelizes.


Umbanda DE FATO E DIREITO não acoberta, não é conivente e não tolera vigaristas, pilantras, manipuladores e mentirosos que usam do seu nome para praticar crimes.


Como diz o velho ditado; Enquanto houver otário e corações entorpecidos de egoísmo no mundo, malandros e falsos pais e mães de santo de poste e anúncios, não passam fome.


"Espiritismo é Jesus ensinando, Umbanda é Jesus trabalhando" Pai Tomé


Átila Alexandre Nunes - Umbandistas sérios não podem ser confundidos com criminosos

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cartilha para legalização casas religiosas de matriz africana

Repercutindo boas notícias!


Cartilha de legalização terreiros



Para acessar a cartilha clique no título acima


Para acessar a cartilha no formato pdf, clique no link abaixo;
http://www.jur.puc-rio.br/pdf/CARTILHAimpressao.pdf

O material dá destaque à importância da legalização dos terreiros, como também na valorização e reconhecimento do seu legado cultural.
Importante passo para a promoção e respeito à liberdade religiosa, o lançamento da cartilha de Legalização das Casas Religiosas de Matriz Africanas produzida pelo Departamento de Direitos da Pontifícia Universidade Católica – PUC-Rio em parceria inédita com a Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos (SuperDir), da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), acontece na próxima quarta-feira (30), às 16h30, no auditório Adauto Belarmino (Praça Cristiano Otoni, s/nº – 7º andar – Central do Brasil).
O material dá destaque à importância da legalização dos terreiros, como também na valorização e reconhecimento do seu legado cultural. O conteúdo da cartilha enumera o passo-a-passo dos procedimentos necessários para a legalização de comunidades tradicionais de terreiros, os novos direitos e deveres assumidos com o registro das casas e difunde as leis que garantem a liberdade religiosa no Brasil.
Para o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da SEASDH, Cláudio Nascimento da Silva, a legitimidade do terreiro garante a consolidação da religião. “Colaborar para a publicação desta cartilha, é promover na gestão pública um reconhecimento da importância dos templos religiosos afrobrasileiros na sociedade, trazendo um novo olhar para todos/as, possibilitando o conhecimento para a legalização e institucionalização de suas comunidades religiosas, assim como, contribuindo também para incluir ações sociais desenvolvidas nos terreiros no rol de serviços das redes de proteção social”, afirma.
O secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves destaca a importância da parceria. “Para nós da SEASDH, fazer cooperação técnica com o Departamento de Direito da Pontifícia Universidade Católica – PUC-Rio para o enfrentamento da intolerância e a discriminação religiosa, reforça a importância da agenda pública pelos direitos humanos no Estado do Rio de Janeiro. Apoiar a publicação da Cartilha de Legalização das Casas Religiosas de Matriz Africana vem contribuir para a ampliação do acesso dos cidadãos a informações sobre seus direitos”.
Entre os benefícios que podem ser exercidos após o registro estão a criação de creches, escolas, e faculdades; Manutenção de locais destinados aos cultos e criação de instituições humanitárias ou de caridade; Ensino de uma religião ou crença em local apropriado; Elaboração e divulgação de publicações religiosas; Solicitação e recebimento de doações voluntárias; e ao sacerdote possibilita a celebração de casamentos e emissão de certificados de realização de cerimônia pelo Terreiro. 
O diretor do Departamento de Direito PUC-Rio, professor Francisco de Guimarães, fala sobre o as tradições africanas no país. “Esta cartilha, ao divulgar os procedimentos necessários para a legalização de comunidades tradicionais de terreiros, se integra a esse movimento de defesa do processo democrático e do pluralismo no Brasil. Certamente o país que hoje conhecemos não existiria não houvessem sido preservadas as tradições religiosas trazidas da outra margem do oceano Atlântico por bantos, iorubás e outros povos irmãos africanos”, conclui.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Tratamento Vibracional à Distância - TVAD - Núcleo Mata Verde


Núcleo Mata Verde através do GEAU disponibiliza um tratamento a distância denominado TVAD - Tratamento Vibracional à Distância.
Esta nova técnica de cura vibracional tem seus princípios na doutrina seguida pelo Núcleo Mata Verde e conhecida como Umbanda Os Sete Reinos Sagrados.
Durante este tratamento estaremos utilizando as vibrações conhecidas como Tatá Pyatã e Yby Pyatã.
Caso esteja com problemas de saúde e deseje receber um tratamento à distância, envie as informações solicitadas através do formulário abaixo.
Você deverá enviar:
  • Nome completo
  • Data de Nascimento
  • Informações detalhadas sobre o problema de saúde, quais os tratamentos realizados e a quanto tempo está com o problema.

  • Caso as informações acima não sejam encaminhadas não teremos como iniciar o tratamento.
    Colocar no texto do pedido, que se trata de auxílio através do Tratamento Vibracional à distância (TVDA).

    Todo o atendimento espiritual realizado no Núcleo Mata Verde é gratuito” 

    UTILIZE O FORMULÁRIO DE CONTATO ABAIXO PARA ENVIAR AS INFORMAÇÕES.

    Desejamos muita Paz e Saúde.
    Que as sete hierarquias espirituais sagradas te amparem!

    terça-feira, 5 de junho de 2012

    AS LUZES DO BEM - Pai Joaquim de Aruanda


    Sabe aquelas noites em que você está perdido na mata fechada, sem nenhuma réstia de luz para iluminar o caminho?...

    Você perdido ali, grita por socorro, mas ninguém vem. E as nuvens escuras flutuam sobre sua cabeça.

    De repente, a lua cheia, bonita, formosa, espanta as nuvens escuras e carregadas. Então, a estrela brilhante e a lua formosa iluminam o caminho para você chegar em segurança.

    Cada menino e menina que trabalha no Bem, com as forças da Luz, é como uma pequena lua ou uma pequena estrela, iluminando a noite escura da alma de homens sem fé e sem coragem.

    Cada pessoa que vibra com as forças da Luz é um pequenino fogo aceso em nome de Nosso Senhor.

    Em lugar de vela acesa, alma acesa!

    Em lugar de benzer copo d’água, coração aceso!

    Em lugar de ritual, alma acesa, energia limpa!

    Existe, o tempo inteiro, um combate entre as forças da luz e as forças das trevas. Se vocês são sensatos, filiem-se às ordens da luz.

    Não compliquem. Não enrolem. Vocês sabem o caminho certo, fazem errado porque querem!

    Vocês têm que aproveitar a chance quando ela aparece. Se não aproveitarem, não há lua acesa, o caminho se fecha e as trevas aparecem.

    Por favor, parem de reclamar!

    Aproveitem as chances. Saibam trabalhar direito!

    - Pai Joaquim de Aruanda* - (Recebido espiritualmente por Wagner D. Borges; texto extraído do livro "Viagem Espiritual III; Editora Universalista)

    * Pai Joaquim de Aruanda: preto velho ligado à egrégora espiritual da Umbanda. É um espírito luminoso e muito amoroso.

    quinta-feira, 31 de maio de 2012

    SOBRE A UNIÃO ENTRE OS UMBANDISTAS


    Hoje pela manhã tomei ao acaso o Livro dos Médiuns e ao ler o texto que encontrei me veio de imediato na mente, se eu trocar as palavras Espiritismo, espírita, por Umbanda, umbandista, me parece por demais pertinente estes trechos para refletir sobre a tão buscada união.


    Deixo para apreciação...

    Umbanda, que apenas acaba de nascer, é apreciada de maneiras diversas e muito pouco compreendida na sua essência por grande número de adeptos, para oferecer condições suficientes de união geral entre os seus membros para se formar uma associação. Não poderão existir estas condições a não ser entre os que compreendam os seus objetivo moral e procuram integrar-se nele. Entre os que só o vêem através dos fatos mais ou menos curiosos nenhum elemento sério de ligação poderia existir. Colocando os fatos acima dos princípios, uma simples divergência na maneira de considerá-los provocaria a divisão. Já não se daria o mesmo no tocante aos primeiros, porque sobre a questão moral não podem existir duas maneiras de ver. Também é fato que, por onde quer que se encontrem uma confiança mútua sempre os liga. A benevolência recíproca, reinando entre eles, afasta todo constrangimento e retraimento originados da suscetibilidade, do orgulho que se irrita com a menor contradição, do egoísmo que só se interessa por si. 

    Uma sociedade em que esses sentimentos dominassem, onde os seus membros se reunissem com o fim de se instruírem e não com a esperança de ver apenas novidades, ou para fazer prevalecer a sua opinião, seria não somente, mas também indissolúvel. A dificuldade de reunir ainda numerosos elementos dessa maneia homogênea leva-nos a dizer, que no interesse dos estudos e para o bem da própria causa, as reuniões umbandistas devem multiplicar-se mais pela constituição de pequenos grupos do que de grandes associações. 

    Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando suas observações podem desde logo formar um núcleo da grande família umbandista que um dia reunirá todas as opiniões, unindo os homens no mesmo sentimento e fraternidade caracterizados pela caridade cristã.

    Já vimos como é importante à uniformidade de sentimentos para obtenção de bons resultados. Essa uniformidade é naturalmente mais difícil de se obter quando o número de pessoas é maior. Nas pequenas reuniões, onde todos se conhecem melhor, tem-se mais segurança na introdução de elementos novos. O silêncio e a concentração tornam-se mais fáceis e tudo se passa como em família. As grandes assembléias não permitem a intimidade pela variedade de elementos de que se compõem. Exigem locais especiais, recursos pecuniários e um aparelhamento administrativo que os pequenos grupos dispensam. A divergência de caracteres, de idéias, de opiniões se revelam melhor, oferecendo aos Espíritos perturbadores mais facilidade para semear a discórdia. Quanto mais numerosa a reunião, mais difícil de se contentar a todos. Cada um queria que os trabalhos fossem dirigidos a seu gosto, que fossem tratados de preferência os assuntos que mais lhe interessam, e alguns julgariam que o título de sócio lhes daria o direito de impor os seus pontos de vista. Daí surgiriam protestos, causas de mal estar que levam cedo ou tarde à desunião e depois à dissolução, sorte de todas as sociedades de qualquer finalidade. 

    Os pequenos grupos não estão sujeitos a essas dificuldades. A queda de uma grande sociedade pareceria um insucesso para a causa umbandista e seus inimigos não deixariam de explorá-la. A dissolução de um pequeno grupo passa despercebida, e se um se dispersa, vinte outros se formam a seguir. Ora, vinte grupos de quinze a vinte pessoas obterão mais e farão mais para a divulgação do que uma assembléia de trezentas e quatrocentas pessoas. 

    Dir-se-á por certo que os membros de uma sociedade, agindo como dissemos, não seriam verdadeiros umbandistasdesde que o primeiro dever que a Umbanda impõe é o da caridade e da benevolência. Isso é perfeitamente justo. E por isso os que assim pensam são umbandistas mais de nome que de fato. Mas quem diria que podem mesmo ser chamados de umbandistas? Aqui se apresenta uma consideração de certa gravidade. 

    Não nos esqueçamos de que a Umbanda tem inimigos interessados em impedir-lhe o desenvolvimento e que vêem com despeito os seus sucessos. Os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem na sombra, os que o acariciam com uma das mãos e o apunhalam com a outra. Esses seres malfazejos se infiltram por toda à parte onde possam fazer mal. Sabendo que a união é uma força trata de destruí-la, semeando a discórdia. Quem poderá então dizer que os que provoquem perturbações nas reuniões não sejam agentes provocadores, interessados na desordem? Seguramente não são verdadeiros nem bons umbandistas, pois não podem fazer o bem e sim muito mal. Compreende-se que tenham muito mais facilidade de se infiltrar nas reuniões numerosas do que nos pequenos grupos em todos se conhecem. Graças a manobras escusas, que passam despercebidas, semeiam a dúvida, a desconfiança e a inimizade. Sob a aparência de interesse pela causa criticam tudo, formam grupinhos que logo rompem a harmonia do conjunto. É o que eles querem.

    Tratando com essas pessoas é inútil apelar aos sentimentos de caridade e fraternidade, seria como falar a surdos voluntários, porque o seu objetivo é precisamente o de destruir esses sentimentos que são o maior obstáculo às suas manobras. Essa situação, prejudicial a todas as sociedades, o é ainda mais às sociedades umbandistas, pois se não levar a uma ruptura provocará preocupações incompatíveis com o recolhimento exigido pelos trabalhos. As sociedades, pequenas ou grandes e todas as reuniões, seja qual for a sua importância, têm ainda de lutar contra outra dificuldade. Os fatores de perturbação não se encontram somente entre os seus membros, mas também no mundo invisível. 

    Assim como há Espíritos protetores para as instituições, as cidades e os povos, os Espíritos malfeitores também se ligam aos grupos e aos indivíduos. Ligam-se primeiro aos mais fracos aos mais acessíveis, procurando transformá-los em seus instrumentos, e pouco a pouco, vão envolvendo a todos, porque sua alegria maligna é tanto maior quanto maior o número dos que tenham subjugado. Todas às vezes, pois, que num grupo uma pessoa tenha caído na armadilha é necessário dizer que se tem um inimigo no campo, um lobo no redil a que se deve ter cautela porque o mais provável é que aumente as suas tentativas. Se não se desencorajar esse elemento por uma resistência enérgica. A obsessão se torna um mal contagioso que se manifestará entre os médiuns pela perturbação da mediunidade e entre os demais pela hostilidade recíproca,a perversão do senso moral e a destruição da harmonia. 

    Como o mais poderoso antídoto desse veneno é a caridade, é ela que eles procuram abafar. Não se deve pois esperar que o mal se torne incurável para lhe aplicar o remédio

    Nem mesmo se devem esperar os primeiros sintomas, pois é necessário sobretudo preveni-lo. Para isso há dois meios eficazes, quando bem aplicados: a prece feita de coração e o estudo atento dos menores sintomas que revelem a presença de Espíritos mistificadores. A primeira atrai os Espíritos bons que só assistem zelosamente aos que sabem secundá-los pela confiança em Deus; o outro prova aos maus que se puseram em relação com pessoas esclarecidas e bastante sensatas para não se deixarem enganar. A influência do meio decorre da natureza dos Espíritos e da maneira por que agem sobre os seres vivos. Dessa influência cada qual pode deduzir por si mesmo as condições mais favoráveis para uma sociedade que aspire a atrair a simpatia dos Espíritos bons, obtendo boas comunicações a afastando as más. Essas condições dependem inteiramente das disposições morais dos assistentes. 

    Podemos resumi-las nos seguintes pontos:

    Perfeita comunhão de idéias e sentimentos;
    Benevolência recíproca entre todos os membros;
    Renúncia de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã;
    Desejo uníssono de se instruir e de melhorar pelo ensinamento dos Espíritos bons e aproveitamento de seus conselhos. 


    Quem estiver convencido de que os Espíritos superiores se manifestam com o fim de nos fazer progredir e não para nos agradar, compreenderá que eles devem se afastar dos que se limitam a admirar o seu estilo sem tirar nenhum fruto das suas palavras e só são atraídos às sessões pelo maior ou menor interesse que elas oferecem, de acordo com seus gostos particulares;

    Exclusão de tudo o que nas comunicações solicitadas aos Espíritos só tenha por objetivo a curiosidade;
    Concentração e silêncio respeitoso durante as conversações com os Espíritos;
    Associação de todos os assistentes pelo pensamento no apelo aos Espíritos evocados;
    Concurso de todos os médiuns, com renúncia de qualquer sentimento de orgulho, de amor próprio e de supremacia, com o desejo único de se tornarem úteis.

    Essas condições serão tão difíceis de preencher que não se encontrem quem possa satisfazê-las? 


    Não pensamos assim. Esperamos, pelo contrário, que as reuniões verdadeiramente sérias, como as já existentes em diferentes lugares, se multiplicarão e não hesitamos em dizer que a elas a Umbanda deverá a sua mais ampla divulgação.

    Unindo os homens honestos e conscienciosos elas imporão silêncio à crítica, e quanto mais puras forem as suas intenções mais serão respeitadas, até mesmo pelos seus adversários. 



    Quando a zombaria ataca o bem deixa de provocar o riso e torna-se desprezível. 


    Entre as reuniões dessa espécie é que se estabelece laço de real simpatia, uma solidariedade mútua, pela própria força das circunstâncias, contribuindo para o progresso geral.


    * * * * * * * * * * * * 



    Conforme dito no início, utilizei-me de trechos do Livro dos Médiuns - Cap. 29 - Reuniões e Sociedades Espíritas - item 334 em diante.

    sábado, 12 de maio de 2012

    Conversa com Preto-Velho - por Roberto Angeli Neto

    Salve lista,

    Estes dias eu estava firmando meu altar, quando o faço procuro me concentrar para que meus guias e mentores espirituais possam me dar alguma instrução, caso se faça necessario. A maioria das vezes nada aconteçe, porém esta semana que passou tive uma rapida conversa com o Preto-velho que trabalha comigo e recebi uma mensagem que achei muito legal, e gostaria de compartilha-la, vou incluir a conversa logo abaixo:


    “- Save meu filho, você sempre pede para trazermos alguma coisa para você hoje eu vim lhe fazer uma pergunta!

    - Suas bençãos meu Pai, save suas forças, e muito obrigado por tudo que vós faz por mim.

    - Meu filho, você acredita em Zambi? Acredita na existencia de uma força maior e superior a todos nós?

    - Sim meu Pai, acredito!

    - E você acredita ser filho de Zambi?

    - Sim meu Pai acredito que todos somos!

    - Então nós podemos dizer que você é parte de Zambi?


    ...depois de pensar alguns segundos respondi...

    - Sim meu pai acredito que podemos dizer isso sim!

    - Então parte de Zambi é você! correto?

    - É meu pai, vendo por este lado, esta correto sim!

    - Meu filho, você tem sua fé completa em Zambi?

    - Tenho meu pai!

    - E em você?

    - As vezes não meu pai, as vezes duvido de mim mesmo!

    - Então você não tem sua fé completa em Zambi!

    ... fiz cara de interrogação, e ele continuou...

    - Se Zambi está no mais alto dos altos e parte dele está em você, não adianta olhar para os céus e dizer que acredita nele, sem olhar para dentro de você e dizer que acredita em você! Se Zambi está lá mas também esta aqui, temos que acreditar nele lá e nele aqui!

    - Hummmm

    - então meu filho, as vezes as pessoas, as vezes você, e muitos outros, pedem coisas a Zambi e não alcançam, depois preguejam ou colocam a culpa no tal do merecimento, quando na verdade faltou fé!


    ... permaneci em silencio quando ele concluiu...

    - Faltou fé em uma parte importante de Zambi, a parte que esta dentro de cada um, somente acreditando em sí proprio o homem consegue fazer a diferença em sua própria vida e na vida dos seus irmãos. Muitos homens fazem diferença na vida das pessoas, observe cada um deles e você verá que a primeira coisa que eles tiveram foi a fé em si mesmo, foi a fé na pequena parte de Zambi que habita em cada um!

    ... Fiquei calado por um tempo, e o preto-velho me deixou refletindo, depois de algum tempo agradeci, ele se despediu e se foi, deixando o ensinamento para o filho de pouca fé.”

    Pai Joaquim de Angola - SP. dia 01/06/2011

    Um grande abraço a todos!
    Beto Angeli
    Médium do "NÚCLEO UMBANDISTA E DE MAGIA CABOCLO FLECHA CERTEIRA E PAI MANUEL DE
    ARRUDA"


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    Grande lição de Amor e Luz! Salve todos os Pretos Velhos!